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'Israel está no topo, Estados do Golfo estão embaixo': guerra no Irã evidencia tratamento desigual entre aliados dos EUA

Embora os países do Golfo condenem publicamente o Irã, no privado eles admitem que sua confiança nos EUA foi quebrada por não terem sido avisados ​​sobre a agressão conjunta com Israel contra o país persa.
'Israel está no topo, Estados do Golfo estão embaixo': guerra no Irã evidencia tratamento desigual entre aliados dos EUAAndrew Harnik / Gettyimages.ru

Apesar dos investimentos milionários e do enorme capital político que as monarquias árabes destinaram ao círculo íntimo do presidente dos EUA, Donald Trump, Washington não avisou os países do Golfo sobre os bombardeios conjuntos com Israel contra o Irã.

Isso aprofundou a percepção de tratamento desigual entre os aliados dos EUA na região, em que Israel ocupa uma posição privilegiada enquanto as nações árabes são relegadas a um papel secundário, relatou o The Times na terça-feira (17).

Fontes oficiais dos Emirados Árabes Unidos admitem que o conflito os pegou de surpresa, tanto pelos ataques dos EUA e de Israel quanto pela resposta do Irã. Embora condenem publicamente Teerã, fontes indicam no privado que a confiança com os EUA foi quebrada.

"Não é justo"

Os países do Golfo gastaram mais de US$ 100 bilhões em armamentos americanos (como caças F-35 e sistemas Patriot e THAAD) e fizeram apostas políticas e econômicas significativas no governo Trump. O exemplo mais recente é a compra, avaliada em US$ 500 milhões, de uma participação em uma empresa de criptomoedas pertencente à família Trump pelo conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos.

"Existe um sistema de dois níveis para aliados no Oriente Médio", explica uma fonte próxima aos governos da região. "Israel está no topo; os países do Golfo estão embaixo", acrescenta. 

Especialistas em defesa argumentam que essa postura não é justa: Israel possui o Domo de Ferro porque enfrenta ataques de seus vizinhos, enquanto que os Emirados Árabes Unidos — até então — não. Os Acordos de Abraão apenas mascararam a desconfiança latente enquanto o descontentamento cresce.