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Estados rejeitam pedido de Lula para reduzir imposto sobre combustíveis

Após governo federal diminuir impostos para conter alta do diesel, estados dizem que corte no tributo não chega ao consumidor.
Estados rejeitam pedido de Lula para reduzir imposto sobre combustíveisGettyimages.ru / Buda Mendes

Os estados brasileiros informaram nesta terça-feira (17) que não pretendem reduzir o imposto estadual sobre combustíveis, o ICMS, mesmo após o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que governadores colaborassem com medidas destinadas a conter o preço do diesel.

A posição foi divulgada pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

Em manifestação pública, o grupo afirma que cortes no imposto não costumam ser repassados ao consumidor final e poderiam comprometer o financiamento de políticas públicas.

O posicionamento ocorre após o governo federal anunciar, em 12 de março, um pacote de medidas diante da escalada do preço do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.

Entre as ações anunciadas está a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel. Também foram anunciados:

  • aumento do imposto de exportação sobre o petróleo
  • incentivos a produtores e importadores do combustível
  • medidas para fiscalizar o repasse das reduções de custo ao consumidor

Na ocasião, Lula pediu "boa vontade" dos governadores para que também reduzissem o ICMS sobre combustíveis.

Argumentos dos estados

O Comsefaz afirma que uma nova redução do imposto poderia gerar perdas fiscais sem garantir queda efetiva nos preços nas bombas.

Segundo a entidade, experiências anteriores indicam que parte das reduções tributárias tende a ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda de combustíveis.

O documento cita ainda dados segundo os quais, em três anos, o preço da gasolina nas refinarias caiu 16%, enquanto o valor pago pelos consumidores nas bombas subiu 27%. Para os secretários de Fazenda, o dado mostra que reduções de custos nem sempre se refletem diretamente no preço final.

O comitê também afirma que a tributação sobre combustíveis representa parcela relevante da arrecadação estadual e financia serviços públicos como saúde, educação, segurança, transporte e infraestrutura.

Segundo o Comsefaz, mudanças na legislação sobre o ICMS dos combustíveis adotadas desde 2022 provocaram perdas acumuladas estimadas em R$ 189 bilhões para estados e Distrito Federal até o último trimestre de 2025.

Medidas do governo federal

O governo federal, por sua vez, afirma que a redução de tributos pode ajudar a conter o impacto da alta do diesel no custo do transporte e na inflação.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a isenção do PIS e Cofins sobre o combustível não deve provocar perda de arrecadação neste ano, pois a medida será compensada pelo aumento do imposto de exportação sobre o petróleo.

A equipe econômica também informou que adotará medidas para fiscalizar se as reduções de custos serão repassadas ao consumidor final.

PF investiga possíveis abusos nos preços

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar possíveis crimes contra consumidores e contra a ordem econômica após relatos de oscilações nos preços dos combustíveis no país. A medida foi anunciada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, diante de suspeitas de cobranças abusivas no setor, informou o portal Metrópoles.

Em paralelo, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) acionou Procons de todo o país para intensificar a fiscalização. Somente nesta terça-feira (17), mais de 100 agentes participaram de uma operação que inspecionou 42 postos de combustíveis e uma distribuidora em 22 cidades.