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China cria liga metálica mais fria do mundo: entenda o avanço

A pesquisa pode representar um grande avanço com potencial de impulsionar a área da computação quântica e da supercondutividade.
China cria liga metálica mais fria do mundo: entenda o avançoGettyimages.ru / Sean Justice

Cientistas chineses anunciaram a criação de uma nova liga de terras raras tão eficiente em baixas temperaturas que pode redefinir o modo como se resfriam computadores quânticos e detectores ultrassensíveis, informou a mídia chinesa nesta terça-feira (17).

Segundo o estudo publicado na revista Nature, a liga permitiu construir um mini‑refrigerador sem partes móveis capaz de atingir temperaturas extremamente próximas ao zero absoluto sem o uso de hélio‑3. Isso responde diretamente a uma demanda recente da Agência de Projetos Avançados de Defesa dos Estados Unidos (DARPA).

Em vez da tradicional refrigeração por diluição, que depende do escasso isótopo hélio‑3, a equipe chinesa empregou a técnica de refrigeração por desmagnetização adiabática (ADR), baseada em um processo magnético em estado sólido. O grande avanço do novo material consiste em combinar a capacidade de resfriamento extremo com a alta condutividade térmica.

A liga em questão, um composto de terras raras denominado EuCo₂Al₉ (ECA), foi desenvolvida por um consórcio que reúne o Instituto de Física Teórica e os Institutos de Ciências Físicas de Hefei da Academia Chinesa de Ciências em parceria com a Universidade Jiao Tong de Xangai. Os pesquisadores conseguiram, por meio do ECA, alcançar 106 milikelvin, estabelecendo um novo patamar para materiais metálicos.

A própria Academia descreveu o resultado como um "módulo de refrigeração de metal puro" com potencial de ser produzido em larga escala e de servir como fonte de frio estável e portátil para chips quânticos e projetos de exploração espacial que exijam sistemas criogênicos autônomos.

  • O trabalho se insere em um esforço mais amplo da China para reduzir a dependência de recursos estratégicos controlados por outros países, como o hélio‑3, obtido sobretudo a partir de programas nucleares nos Estados Unidos e na Rússia, e para consolidar uma indústria nacional de tecnologias quânticas.
  • Hoje, os computadores quânticos supercondutores dependem de grandes refrigeradores por diluição para operar a temperaturas extremamente baixas, o que limita sua miniaturização e portabilidade.