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Crianças lideram alta de internações por transtornos mentais em SP

Crianças de 5 a 9 anos lideram aumento de atendimentos; especialistas apontam dificuldades escolares e sociais como fatores de vulnerabilidade.
Crianças lideram alta de internações por transtornos mentais em SP© Tânia Rêgo/Agência Brasil

As internações por transtornos mentais e comportamentais entre crianças e adolescentes cresceram de forma expressiva em São Paulo entre 2020 e 2025.

O aumento mais significativo ocorreu na faixa etária de 5 a 9 anos, que registrou alta de 98,3%, seguida pelos adolescentes de 10 a 14 anos, com um crescimento de 78,1%.

Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde baseados no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS. A reportagem foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (17).

Atendimentos ambulatoriais

Crianças de 5 a 9 anos também lideraram o número de procedimentos ambulatoriais, com aumento absoluto de 775,6 mil atendimentos em cinco anos.

Os procedimentos incluem consultas, exames e tratamentos para condições que vão de esquizofrenia, transtornos do desenvolvimento e do humor a problemas relacionados ao uso de substâncias.

De acordo com a professora do departamento de psiquiatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Karina Diniz, o crescimento nessa faixa etária está ligado ao início da vida escolar, quando dificuldades de aprendizagem, comportamento e socialização ficam mais evidentes.

Ela ressalta que o diagnóstico precoce tem se tornado mais comum em crianças, sobretudo em casos de transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e deficiência intelectual.

Já entre 10 e 14 anos, os atendimentos aumentam devido a diagnósticos tardios e surgimento de quadros como depressão e ansiedade.

Para Elson Miranda de Azevedo, diretor do Caism (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental) da Vila Mariana e docente da EPM/Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo) o aumento já era percebido antes da pandemia de Covid-19, mas o período pós-pandemia intensificou o sofrimento psíquico entre crianças e adolescentes.