
Estudante morta deixou em prints com manipulação do namorado que a levou ao aborto e ao suicídio

A estudante de medicina Carolina Andrade Zar, de 22 anos, que se suicidou em Marília (SP) em maio, tinha compilado uma série de prints de conversas no WhatsApp (Meta*), expondo como seu namorado a pressionou, manipulou e ameaçou para forçá-la a abortar uma gravidez, revelou o Metrópoles nesta terça-feira (17), citando o material obtido.

O abuso psicológico culminou no aborto do feto, com 12 semanas de gestação, e depois no suicídio da jovem. O caso está sob investigação policial.
Acusações e pressão
Assim que soube da gravidez, o namorado acusou Carolina de tentar um "golpe" e disse que o bebê seria "a pior coisa" de sua vida.
Nas mensagens, ele a xingava, instruía-a a comprar medicamentos ilegais e pedia que apagasse as conversas para esconder o procedimento da família, usando também ameaças de se matar ou "fazer uma besteira".
Após fases de agressividade, ele mudava para um tom de arrependimento e promessas de que "superariam juntos", tentando convencê-la de que o aborto era o "melhor para os dois".
"Minha mãe faz misto pra mim e arruma minha cama até hoje. Eu não posso ter um filho", tentou se justificar.
Carolina, no entanto, sonhava em ser mãe, revelando em anotações que planejava fingir o aborto. Ela chegou a dizer que sumiria da vida dele para criar o filho sozinha.
O namorado, porém, reservou um quarto de hotel para realizarem o procedimento juntos. Lá, após cerca de 12 horas de espera pela medicação, Carolina passou muito mal, mas o rapaz a segurou para impedi-la de se mover ou mudar de ideia devido à dor.
Carolina também enviou uma mensagem à mãe do namorado, detalhando toda a história. "Não estou aqui por vingança. Estou aqui porque a minha dor merece ser dita, porque o que aconteceu comigo não pode ser apagado como uma conversa excluída", escreveu.
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.
