Notícias

EUA quer ver China fora de leilão por concessão no porto de Santos, o maior da América Latina

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo afirmou que o terminal tem importância estratégica para Washington e sugeriu que a instalação não deveria cair em "mãos indesejadas".
EUA quer ver China fora de leilão por concessão no porto de Santos, o maior da América LatinaGettyimages.ru / Paulo Fridman / Contributor

Os Estados Unidos manifestaram a empresários do setor portuário brasileiro que não querem ver uma empresa chinesa vencer a concessão de um novo terminal de contêineres no porto de Santos, o maior da América Latina, segundo informou a mídia chinesa nesta terça-feira (17).

Em 5 de março, o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, em evento organizado pelo grupo A Tribuna, afirmou que o terminal tem importância estratégica para Washington, especialmente no combate ao crime organizado, e sugeriu que a instalação não deveria cair em "mãos indesejadas". Embora o consulado tenha negado exercer pressão direta, reconheceu estar preocupada com a participação de companhias chinesas por questões ligadas à soberania, segurança, competição e "alavancagem estratégica".

O terminal em disputa é o Tecon Santos 10, um projeto no bairro do Saboó com 621 mil metros quadrados e quatro ancoradouros capazes de receber os maiores porta‑contêineres do mundo. Com a nova instalação, o Brasil será capaz de receber 3,25 milhões de contêineres por ano a mais da sua capacidade atual, elevando a posição do país de 45ª para 15ª no ranking global de movimentação de contêineres. A concessão será de 25 anos e exigirá um investimento mínimo de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 6,4 bilhões), sendo que será leiloada com um lance mínimo fixado em R$ 500 milhões.

A China tem sinalizado interesse explícito no projeto. A estatal Cosco Shipping, a quarta maior empresa de transporte de contêineres do mundo, realizou uma videoconferência com autoridades brasileiras em setembro de 2025 para expressar o desejo de participar do leilão. A China Merchants Port, um conglomerado estatal que opera o terminal de Paranaguá, enviou seu vice‑presidente global a Brasília em janeiro de 2026 para comunicar diretamente seu interesse na concessão.