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O que é 'bonesmashing' e por que Geração Z começou a bater no próprio rosto com martelo?

A estapafúrdia técnica de "quebra-ossos" consiste em golpear repetidamente o queixo, as maçãs do rosto e a mandíbula com um martelo, com o objetivo de alterar o formato do rosto.
O que é 'bonesmashing' e por que Geração Z começou a bater no próprio rosto com martelo?Gettyimages.ru / Михаил Руденко

A chamada tendência de "esmagamento de ossos" ganhou popularidade graças à "escala PSL", uma escala inventada pela Geração Z para avaliar a aparência. Sua sigla significa "Perfection, Symmetry, Looks" (‘Perfeição, Simetria, Aparência’). 

A ideia do PSL, adotada por Brayden Peters, um streamer de 20 anos e figura proeminente no movimento online "looksmaxxing", visa aprimorar constantemente a aparência para alcançar objetivos de vida e sucesso.

O blogueiro incentiva seus seguidores não apenas a se exercitarem e cuidarem da aparência, mas também a tomarem esteroides, se submeterem a cirurgias plásticas e a fazerem automassagem com objetos domésticos.

Ao falar sobre a eficácia deste último método, ele cita a teoria não comprovada do cirurgião alemão Julius Wolff, segundo a qual os ossos se adaptam ao estresse e mudam de forma. 

A técnica de "quebra-ossos" consiste em golpear repetidamente o queixo, as maçãs do rosto e a mandíbula com um martelo. O objetivo é causar pequenos danos ao osso subjacente, o que, à medida que cicatriza, alteraria o formato do rosto, resultando em um rosto mais quadrado, uma linha da mandíbula mais definida ou um queixo mais proeminente.

Jovens, acreditando no influenciador popular, estão se filmando sendo espancados com um martelo e postando os vídeos nas redes sociais com a hashtag #bonesmashing.

Médicos estão tentando conter essa tendência perigosa e estapafúrdia. Eles enviaram diversas cartas aos periódicos médicos Journal of Dentistry e Oral and Maxillofacial Surgery alertando sobre suas graves consequências. 

"Claro que é uma ideia estúpida', diz o Dr. Ricardo Grillo, explicando que a lista de riscos é enorme. Ele acrescenta que outros riscos incluem a formação de tecido cicatricial nos músculos faciais e danos vasculares e neurológicos. Além disso, existe o risco de assimetrias faciais, já que esse trauma não é controlado.

Especialistas explicam que não é possível remodelar o osso de forma previsível como se faz com os músculos. Traumatismos podem causar microfraturas nos ossos da face, mas não ao longo de linhas definidas que correspondam ao resultado final desejado.

Essas lesões não controladas causam áreas aleatórias de inchaço e espessamento. Em vez de ativar os osteoblastos responsáveis ​​pela formação óssea, traumatismos ósseos desencadeiam inchaço e inflamação devido ao trauma dos tecidos moles.

A força contundente repetida danifica os vasos sanguíneos, levando ao acúmulo de fluido e edema. Também pode causar microlesões nos músculos faciais e danos às almofadas de gordura da face.