Três pessoas que filmaram as consequências de ataque com drones iranianos em Dubai foram detidas por enviarem fotos do incidente a parentes.
Os homens, residentes estrangeiros do complexo Creek Harbour, tentavam tranquilizar suas famílias após o impacto que danificou o prédio onde moravam, segundo informou o Daily Mail, na segunda-feira (16).
"Em vez de receberem apoio como vítimas, foram detidos pela polícia de Dubai", denunciou Radha Stirling, diretora do grupo Detained in Dubai, que presta assistência a estrangeiros presos na cidade.
Os Emirados Árabes proibiram o compartilhamento desse tipo de conteúdo, para evitar que o país passe a imagem de "inseguro". As infrações podem acarretar multas de até US$ 54 mil (cerca de R$ 54,6 mil) e uma pena mínima de dois anos de prisão.
No fim de semana, as autoridades do país publicaram boletins de ocorrência de 25 pessoas detidas por compartilhar "material de guerra".
Os detidos, de várias nacionalidades, respondem por "publicar conteúdo enganoso em plataformas digitais". No total, cerca de 100 pessoas foram detidas em todo o país, a maioria delas estrangeiras.
Os Emirados Árabes abrigam a base aérea americana de Al Dhafra, alvo das forças iranianas, juntamente com outros alvos dentro do país, em retaliação à agressão não provocada dos EUA e de Israel contra a República Islâmica. Várias zonas dos Emirados foram atingidas por mísseis desde os primeiros dias de conflito.
Conflito no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.