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China contesta investigação dos EUA sobre cadeias de exportação

Autoridades chinesas dizem que iniciativa baseada na Seção 301 ignora normas internacionais e ocorre paralelamente a negociações comerciais entre Pequim e Washington em Paris.
China contesta investigação dos EUA sobre cadeias de exportaçãoGettyimages.ru / China Photos

O Ministério do Comércio da China criticou nesta segunda-feira (16) uma investigação aberta pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301, legislação que permite ao governo norte-americano examinar práticas comerciais de outros países.

A medida envolve cerca de 60 economias e inclui acusações de que produtos chineses exportados fariam parte de cadeias de fornecimento supostamente associadas ao trabalho forçado.

Segundo Pequim, a iniciativa tem caráter unilateral e discriminatório. O ministério afirma que a ação ignora a legislação trabalhista chinesa e as 28 convenções da Organização Internacional do Trabalho ratificadas pelo país.

O governo chinês também destacou que a Organização Mundial do Comércio já considerou medidas anteriores baseadas na Seção 301 incompatíveis com as regras do comércio internacional.

"Esta é mais uma investigação da Seção 301 lançada pelos Estados Unidos, após a investigação sobre 'excesso de capacidade' iniciada em 11 de março", afirmou o porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

Segundo o representante, Washington tem utilizado o tema do trabalho forçado como justificativa para impor restrições comerciais. "Os Estados Unidos já fabricaram fatos e impuseram uma série de restrições comerciais à China sob o pretexto de 'trabalho forçado'", disse.

O porta-voz também mencionou a posição dos Estados Unidos em relação a tratados internacionais sobre o tema. "Os Estados Unidos ainda não ratificaram a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930, recusando-se a se vincular às normas internacionais, mas manipulam há muito tempo a questão do 'trabalho forçado'", afirmou.

"Desta vez, os EUA iniciaram uma investigação da Seção 301 contra a China e economias relacionadas, tentando construir barreiras comerciais. Isso é altamente unilateral, arbitrário e discriminatório, um ato típico de protecionismo", concluiu.

A nova medida ocorre enquanto representantes de Pequim e Washington participam de rodadas de consultas comerciais em Paris. Durante os encontros, a delegação chinesa apresentou um protesto formal às autoridades norte-americanas e pediu a interrupção do que classificou como práticas protecionistas.

Pequim informou que acompanhará o andamento do processo e afirmou que poderá adotar medidas para proteger seus interesses. O governo chinês também declarou apoiar o diálogo e o respeito mútuo para manter a estabilidade das cadeias globais de suprimentos.