
Trump diz que 'todos os líderes' do Irã estão mortos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (16) que "todos" os líderes iranianos morreram em consequência da agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Por isso, argumentou, neste momento, o país norte-americano não sabe com quem deve negociar.
"Eles estão levando uma surra. Não sei se estão preparados. E nem mesmo conhecemos seus líderes. Olha, todos os seus líderes estão mortos. Pelo que sabemos, estão todos mortos. Não sabemos com quem estamos lidando", afirmou em coletiva de imprensa hoje durante reunião do Kennedy Center na Casa Branca.
Na mesma linha, Trump adiantou que Washington tem "pessoas dispostas a negociar", mas disse não saber quem lidera o país persa neste momento. "Não temos a menor ideia de quem são", observou.

"Não sabemos se ele está morto"
Ao se referir ao estado físico do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, Trump não deu uma resposta definitiva. Em vez disso, o presidente sugeriu versões que, segundo ele, estão sendo ventiladas e que seriam igualmente possíveis: que ele esteja gravemente ferido ou desfigurado ou, inclusive, morto. "Ninguém diz que ele está completamente saudável", alegou. Para fundamentar seu palpite, Trump citou a ausência de aparições públicas do aiatolá.
"Muitas pessoas dizem que ele está muito desfigurado. Dizem que ele perdeu uma perna e que ficou gravemente ferido. Outros dizem que ele está morto. Ninguém diz que ele está completamente saudável. E ele não falou, porque o aiatolá [Ali Khamenei] sentava-se e cuspia ódio de uma espécie de trono, (…) cuspia ódio de sua cadeira. Mas viam-no muito, não é? Agora este, não o vimos", argumentou.
No entanto, o republicano considerou que seu desaparecimento da cena pública "pode se dever a muitos motivos diferentes" e admitiu que a Casa Branca não sabe se "ele está morto ou não". Contudo, ele afirmou que "ninguém o viu" e classificou esse suposto fato como algo "incomum".
Não é a primeira vez que Trump põe em dúvida que Mojtaba esteja vivo. No último sábado (14), ele sugeriu a mesma hipótese em uma conversa telefônica com a NBC, ao alertar que "até agora, ninguém conseguiu mostrá-lo".
Contrariando essas alegações, o Ministério das Relações Exteriores iraniano informou à mídia que, embora Mojtaba Khamenei tenha ficado ferido nos bombardeios conjuntos de Washington e Tel Aviv contra Teerã, ele está bem. Além disso, na última quinta-feira (12), Khamenei dirigiu sua primeira mensagem à nação.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.
