
Quais países rejeitaram pedido de Trump para enviar navios ao Estreito de Ormuz

Em meio ao aumento dos preços da energia provocado pela agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e à paralisação do Estreito de Ormuz, o presidente americano Donald Trump tenta formar uma coalizão naval para escoltar navios por essa rota estratégica.
Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos ligou para vários governos pedindo que enviassem navios de guerra para desbloquear o estreito como parte de uma missão conjunta; no entanto, sua proposta não recebeu apoio da comunidade internacional.
Neste domingo (15), Trump expressou esperança de que um grupo de países colabore com a iniciativa. "Espero que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial enviem navios para a região, para que o Estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça por parte de uma nação que foi completamente desmantelada", escreveu ele em sua rede social Truth Social.
Reação à proposta
China

Um porta-voz da Embaixada da China em Washington lembrou que Pequim pede um cessar-fogo imediato e evitou especificar se o país enviará meios navais para a região, segundo a CNN. "Todas as partes têm a responsabilidade de garantir um abastecimento de energia estável e sem obstáculos", afirmou.
"Como amigo sincero e parceiro estratégico dos países do Oriente Médio, a China continuará fortalecendo a comunicação com as partes relevantes, incluindo as partes em conflito, e desempenhará um papel construtivo para a redução da tensão e o restabelecimento da paz", acrescentou o porta-voz.
Austrália
Apesar do apelo de Trump para criar uma missão internacional, a Austrália descartou o envio de navios para a zona.
"Fui informada de que não temos intenção de enviar navios para o Estreito de Ormuz. Estamos bem preparados aqui neste país para enfrentar a crise econômica que está ocorrendo como consequência da [situação no] Oriente Médio, mas não temos planos de enviar nenhum navio", afirmou nesta segunda (16) a ministra de Infraestrutura, Transporte, Desenvolvimento Regional e Governo Local, Catherine King.
Alemanha
Berlim não tem intenção de participar de uma missão internacional para liberar as rotas de navegação no estreito, afirmou no domingo (15) o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul.
"Vamos participar ativamente desse conflito? Não. O Governo Federal tem uma posição muito clara a respeito disso […], não vamos fazer parte desse conflito", afirmou ao ser questionado em uma entrevista sobre a proposta do presidente dos Estados Unidos. Ele afirmou que a segurança, tanto para o Estreito de Ormuz quanto para o Mar Vermelho, só será alcançada "se houver uma solução negociada" e, nesse caso —disse ele—, o governo alemão ficaria "encantado em participar das negociações".
Japão
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou nesta segunda-feira (16) que Tóquio também não tem planos de mobilizar navios para escoltar embarcações no Oriente Médio.
"Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos analisando o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro do marco legal", declarou Takaichi perante o Parlamento, referindo-se ao caráter antimilitarista da Constituição japonesa.
Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, explicou que não quer que seu país se envolva na guerra contra o Irã. 'Embora tomemos as medidas necessárias para defender a nós mesmos e nossos aliados, não nos envolveremos no conflito em maior escala", enfatizou. Além disso, ele sinalizou que está colaborando com seus aliados em um plano para reabrir o Estreito de Ormuz, mas não forneceu mais detalhes.
O jornal The Times, citando fontes, informou que o governo britânico está considerando o envio de veículos aéreos não tripulados para remoção de minas, a fim de ajudar a limpar o estreito e retomar o fluxo de exportações de petróleo. No entanto, Londres alertou que o envio de navios de guerra para a área poderia aumentar as tensões na região.
Coreia do Sul
O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano indicou que "tomou nota" do apelo do presidente dos Estados Unidos e declarou que "coordenará estreitamente e analisará minuciosamente" a situação com Washington.
França
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que está colaborando com vários parceiros na Europa e na Ásia para formar uma "possível missão internacional de escolta a navios", mas insistiu que esta deve ser realizada quando "as circunstâncias o permitirem", uma vez que os combates tenham cessado.
Enquanto isso, em entrevista à France 24, a ministra francesa das Forças Armadas, Catherine Vautrin, afirmou na quinta-feira (12) que, "neste momento, não está previsto o envio de nenhum navio ao estreito de Ormuz”.
Espanha
O ministro espanhol das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, descartou novamente nesta segunda (16) a participação da Espanha em uma operação militar para garantir o tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz.
A ideia seria que a Operação Áspides, uma força militar composta por vários países da União Europeia que foi enviada para proteger o transporte marítimo internacional no Mar Vermelho contra os ataques dos houthis do Iêmen, fosse transferida para o Estreito de Ormuz. Uma opção que foi categoricamente rejeitada pelo ministro das Relações Exteriores espanhol.
"A solução para o aumento dos preços [dos combustíveis] tem de ser o fim desta guerra, parar esta guerra e fazer com que a negociação e o diálogo prevaleçam. Acreditamos que a Operação Áspides e o mandato atual são os corretos e, portanto, não é necessário introduzir nenhuma modificação", afirmou Albares.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.




