Dubai está 'acabada'?: Como o conflito no Oriente Médio afeta a cidade dos milionários

Prevê-se que as consequências econômicas do conflito para a cidade sejam mais severas do que para outros emirados.

A cidade de Dubai, que tem fama de ser um destino turístico atraente e luxuoso, uma das cidades mais visitadas do mundo e um dos hubs de transporte mais movimentados do planeta, encontra-se agora no fogo cruzado do conflito que eclodiu no Oriente Médio.

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) abrigam a base aérea americana de Al Dhafra, alvo constante das forças iranianas, além de outros pontos dentro do país, em retaliação à agressão não provocada dos EUA e de Israel contra a República Islâmica.

Diversos lugares nos EAU foram atingidos nos primeiros dias da escalada do conflito. Segundo relatos, pelo menos seis pessoas morreram, incluindo cidadãos do Paquistão, Nepal e Bangladesh, e mais de 140 ficaram feridas.

"Já está perdendo muito"

Graças à imigração, a população de Dubai aumentou de dois milhões em 2011 para mais de quatro milhões em 2025. Em 2025, entre seus residentes, dos quais 85% eram estrangeiros, havia mais de 80 mil milionários e 20 bilionários que desfrutam de isenção de impostos sobre renda, ganhos de capital e herança.

A guerra regional provocou um êxodo dos endinheirados. Dezenas de milhares de pessoas tentando fugir de Dubai na primeira semana de hostilidades embora a evacuação de uma família de quatro pessoas em um jato particular custasse US$ 250 mil, segundo informou o Financial Times. Esses voos transportaram tanto turistas retidos quanto membros da grande comunidade de expatriados de Dubai.

O jornal The Guardian relatou que as consequências econômicas do conflito devem ser significativas para os Emirados Árabes Unidos, sobretudo para Dubai, onde o turismo gera cerca de US$ 30 bilhões anualmente. "Estamos pensando em ir para outro país agora. Todo mundo sabe que Dubai acabou", disse um taxista nascido no Paquistão ao jornal após seu carro ter sido destruído em um ataque de míssil. "Não há negócios, não ganhamos nada desde que esta guerra começou e não vejo o turismo voltando", lamentou.

É importante destacar que, ao contrário de outros emirados do Golfo, a economia de Dubai não gira em torno do petróleo. Analistas apontam que, se a guerra continuar, as perdas financeiras serão significativas, e a reputação da cidade como destino turístico, bem como a confiança ocidental em investimentos comerciais, bancários e imobiliários, continuarão a se deteriorar.

"Dubai já está perdendo muito", afirmou Khaled Almezaini, professor da Universidade Zahed, dos Emirados Árabes Unidos. "Por enquanto, é suportável para a economia local, mas, se isso continuar por mais 10 ou 20 dias, o impacto no turismo, na aviação, nos negócios dos expatriados e no petróleo será muito difícil", acrescentou.

"É uma regra básica do turismo", afirmou à Business Insider Alan Fyall, especialista em marketing de destinos. "Qualquer lugar no mundo só funciona para o turismo se for estável e seguro", afirmou, acrescentando que, embora Dubai sempre tenha sido um lugar incrivelmente seguro para visitar, talvez muitos turistas desconhecessem sua proximidade com o Irã. Ele enfatizou que isso provavelmente mudará agora depois dos ataques iranianos à cidade que danificaram o aeroporto e dois hotéis de luxo.