O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz continua aberto e está fechado apenas para os navios de países inimigos, segundo a ISNA.
O ministro comentou ainda as tentativas do presidente americano Donald Trump de criar uma coalizão internacional para escoltar navios na passagem marítima, indicando que, diante da crise energética mundial, os EUA recorrem àqueles que consideravam inimigos até ontem e pedem ajuda a outros países para desobstruir o estreito.
Araghchi destacou que o Irã continuará a resistir às agressões dos EUA e de Israel.
"Não enviamos nenhuma mensagem nem solicitamos um cessar-fogo", afirmou o ministro, acrescentando que a guerra deve terminar de uma forma em que os inimigos não pensem nunca mais em atacar o país.
Bloqueio do estreito de Ormuz
- Desde o início do ataque não provocado dos EUA e de Israel contra o Irã, os preços da energia têm apresentado grande volatilidade, especialmente devido ao fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
- A situação provocou alta nos preços do petróleo. No domingo (8), o barril registrou uma oscilação histórica: passou dos 100 dólares e chegou a quase 120 nas primeiras horas do dia. Apesar de ter recuado depois, a instabilidade ainda persiste.
- A Guarda Revolucionária iraniana declarou na segunda-feira (9) que permitirá a passagem pelo estratégico estreito a qualquer país que expulse os embaixadores dos EUA e de Israel, informou a agência iraniana ISNA. Na quarta-feira (11), a guarda reforçou que navios dos EUA e de seus aliados não podem atravessar essa via marítima.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.