Notícias

Australiano usa IA para criar vacina experimental contra câncer de cadela

Tutor recorre a algoritmos e pesquisadores para desenvolver imunoterapia personalizada após tratamentos tradicionais não reduzirem tumor agressivo em animal diagnosticado em 2024.
Australiano usa IA para criar vacina experimental contra câncer de cadelaReprodução/Divulgação Redes Sociais/X @paul_conyngham

Rosie, uma cadela adotada em Sydney, na Austrália, passou de paciente oncológica a protagonista de um experimento científico após seu tutor recorrer à inteligência artificial para tentar conter um tumor agressivo, informou a mídia australiana na sexta-feira (13).

O animal, diagnosticado em 2024 com câncer de mastócitos, enfrentava um tratamento longo e caro que não havia conseguido reduzir o tumor instalado em sua pata.

O responsável pela iniciativa é Paul Conyngham, empreendedor de tecnologia com 17 anos de experiência em aprendizado de máquina. Diante das limitações das terapias convencionais, ele decidiu tratar a doença como um problema de dados. Segundo a mídia australiana, o processo começou com perguntas a um chatbot sobre possíveis alternativas para tratar o câncer da cadela.

A partir dessa investigação, Conyngham concluiu que a melhor possibilidade seria apostar em imunoterapia e no desenvolvimento de uma vacina personalizada de mRNA baseada no próprio tumor de Rosie.

O plano seguiu etapas semelhantes às usadas em pesquisas médicas. Primeiro, foram coletadas amostras de DNA saudável a partir do sangue do animal. Em seguida, o material foi comparado com o DNA do tumor para identificar mutações específicas.

Com o auxílio de algoritmos e programas de análise estrutural de proteínas, como o AlphaFold, Conyngham transformou essas mutações em possíveis alvos terapêuticos.

Os dados reunidos foram enviados a cientistas especializados em genômica e RNA da Universidade de Nova Gales do Sul, que aceitaram trabalhar na tentativa de transformar a análise genética em um tratamento.

No laboratório, a equipe desenvolveu uma vacina experimental de mRNA encapsulada em nanopartículas. O objetivo da formulação era treinar o sistema imunológico de Rosie a reconhecer e atacar as células cancerígenas.

O processo fora do laboratório também exigiu esforço. Para obter autorização ética para testar a terapia em cães, Conyngham precisou preencher diversos formulários e buscar apoio institucional. A aprovação veio com a ajuda de uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos e de uma pesquisadora da Universidade de Queensland.

Em dezembro, após uma viagem de cerca de dez horas até a cidade de Gatton, Rosie recebeu a primeira aplicação da vacina experimental. Doses de reforço foram administradas nas semanas seguintes.

Os efeitos chamaram a atenção dos pesquisadores envolvidos no projeto. O tumor diminuiu cerca de 50%, a dor relatada no animal foi reduzida e a cadela voltou a realizar atividades cotidianas.

Embora o tratamento ainda seja experimental, o caso passou a ser citado como exemplo do potencial de vacinas oncológicas personalizadas baseadas em dados genéticos, abordagem que pode ganhar espaço em estudos futuros tanto na medicina veterinária quanto na humana.