O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr, ameaçou no sábado (14) revogar licenças de emissoras norte-americanas devido à cobertura da guerra com o Irã.
Carr, em suas redes sociais, acusou as emissoras de "veicular farsas e distorções de notícias", alertando-as para "corrigir o rumo antes da renovação de suas licenças". O dirigente republicou uma mensagem do presidente Trump na Truth Social que criticava a mídia por suposta cobertura enganosa do conflito.
Trump atacou especificamente uma reportagem do Wall Street Journal sobre cinco aeronaves de reabastecimento norte-americanas supostamente atingidas na Arábia Saudita. O presidente alegou que a manchete era "intencionalmente enganosa" e acusou este e outros veículos de imprensa como "baixos", classificando os profissionais como "pessoas verdadeiramente doentes e dementes".
Tensões com a mídia
O presidente da FCC ecoou essas críticas afirmando que "emissoras devem operar no interesse público e perderão suas licenças caso não o façam". A posição de Trump e de seu alto escalão reafirma manifestações anteriores do presidente, que já questionou se emissoras com cobertura "quase 100% negativa" não deveriam perder suas licenças, em dezembro do ano passado.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, também manifestou descontentamento com a cobertura da CNN durante coletiva de imprensa na sexta-feira (13), declarando esperar ansiosamente que a rede seja controlada pelo bilionário David Ellison, proprietário da Paramount Skydance, que venceu a disputa pela aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 111 bilhões (cerca de R$ 591 bilhões) após a desistência da Netflix, o que colocaria a CNN sob sua supervisão.
Especialistas em regulamentação midiática, contudo, citados pelo jornal The New York Times, reagiram negativamente às falas de Carr, sublinhando que a lei nacional de comunicações proíbe o governo de usar regulações para censura.
Carr justificou sua postura afirmando que a confiança na "mídia tradicional" caiu para "mínima histórica de apenas 9%", argumentando que "os americanos subsidiaram as emissoras em bilhões de dólares ao fornecer acesso gratuito às ondas aéreas da nação".
- As investidas contra a mídia ocorrem em uma pressão sobre o governo Trump para um encerramento rápido do conflito. A sobrevida política da operação é temporalmente limitada pelo baixo e decrescente apoio público à guerra, pelo alto e crescente preço dos combustíveis em face do bloqueio iraniano de rotas vitais de petróleo, e a aproximação das vindouras eleições legislativas em novembro de 2026, que testará a base política de Trump e definirá sua projeção no Congresso norte-americano até o fim de seu mandato.