VÍDEOS: Manifestação pró-Palestina termina em tumulto com turistas israelenses na Bahia

O ativista Thiago Ávila participou de organização de ato sobre turismo ético interrompido pelas agressões, denunciando conflitos crescentes pela chegada de turistas de Israel no litoral baiano.

A cidade litorânea de Itacaré, destino turístico no sul da Bahia, se tornou microcosmo de um conflito global na manhã de sábado (14), quando uma manifestação pró-Palestina foi interrompida por agressões de oposicionistas e turistas israelenses.

Registros gravados de testemunhas divulgados nas redes sociais mostram discussão, gritos e hostilidades, com manifestantes entoando palavras de ordem em defesa da causa palestina.

As imagens registram ainda a presença do ativista brasileiro Thiago Ávila, um dos organizadores do ato e notório por sua presença nas flotilhas internacionais em missão humaitária contra o bloqueio israelense da Faixa de Gaza. 

Segundo uma manifestante presente no ato, citada anonimamente pelo portal Uol, a confusão começou em uma roda de conversa com cerca de 300 pessoas, quando um homem se aproximou do grupo com um microfone, tentando colar adesivos e fazendo provocações em favor do Estado sionista.

A Polícia Militar interveio para conter o tumulto, e três pessoas, incluindo ao menos um israelense, foram detidas e conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos, sendo posteriormente liberadas, sem registro de feridos.

Turismo ético

O ato público, também previsto para este domingo (15) na cidade do Morro de São Paulo, havia sido divulgado com antecedência nas redes de Thiago Ávila, na sexta-feira (13), que alertou para a articulação de uma manifestação oposicionista paralela e antecipou provocações. O evento pautava a conscientização sobre turismo ético no Brasil, que discute a necessidade de respeito às leis do país e à população local por seus visitantes, questão desatendida pelo perfil de turistas de Israel, segundo Ávila.

« EXCLUSIVO: THIAGO ÁVILA RELATA VIOLÊNCIAS DURANTE DETENÇÃO EM ISRAEL »

A imprensa reportou o caso da vendedora ambulante que, dias antes, denunciou ter sido agredida por um grupo de israelenses ao tentar intervir em uma situação de vandalismo, sofrendo fratura no nariz. Ávila, similarmente, relata o aumento de denúncias de violência envolvendo turistas israelenses na região, afirmando que "cada dia a gente recebe um caso novo" e defendendo que "o Brasil tem o dever de coibir e de responsabilizar essas pessoas".

O ativista questiona a recepção de militares israelenses no território do país, que é signatário de tratados internacionais como a Convenção de Genebra, o Estatuto de Roma e a Convenção da ONU contra o Genocídio, que exigem a responsabilização de crimes de guerra.

Destino preferencial

Citada pela imprensa regional, a Secretaria de Turismo do município confirma que o fluxo de visitantes israelenses, que não precisam de visto para entrar no Brasil por 90 dias, permanece estável apesar do contexto geopolítico. A guerra deflagrada pelas agressões americano-israelenses contra o Irã em 28 de fevereiro, contudo, desestabilizou itinerários aéreos com passagem ao Oriente Médio, criando dificuldades de retorno que mantêm esses visitantes na cidade por mais tempo do que o previsto.

Segundo a secretária de Turismo de Itacaré, Patrícia Veras Soares, a concentração desse público é maior no período pós-Carnaval, mas a presença se tornou constante ao longo do ano. 

Itacaré e Morro de São Paulo são destinos populares entre turistas israelenses, com muitos estabelecimentos oferecendo cardápios em hebraico e outros serviços voltados a esse público. A imprensa divulga relatos de sinalizações exclusivas no idioma, pedidos frequentes de desconto e resistência ao pagamento de taxas de serviço convencionais, como o couvert artístico ou taxas de serviço a garçons, criando uma dinâmica de consumo particularizada a essa demografia.

O perfil do turista israelense mudou significativamente desde 2012 e 2013, quando o padrão era estritamente de "mochileiro" que buscava campings e hostels, segundo a reportagem. O cenário é de maior poder aquisitivo em 2026, com visitantes se espalhando por hotéis, pousadas e casas de temporada de alto padrão.

Moradores e profissionais do turismo relatam que grande parte dos visitantes é composta por jovens israelenses recém-saídos do serviço militar obrigatório, segundo relatos à Revista Fórum, que aponta que o fenômeno é impulsionado por produções como a série Malabi Express, que popularizou Morro de São Paulo como destino preferido entre recém-licenciados das Forças Armadas de Israel.

Reações públicas e manifestações foram reportadas nos últimos meses na região do litoral baiano, suscitando a rejeição de nacionais israelenses no território por posição frente ao genocídio palestino, mas também acusações de agressão física, assédio moral e apagamento cultural, enquanto apoiadores aprovam o aquecimento da economia local com a chegada dos turistas.