Representantes da China e dos Estados Unidos retomaram neste domingo (15) negociações sobre temas econômicos e comerciais em Paris, marcando a sexta rodada de diálogos entre as duas maiores economias do mundo, informou a agência chinesa de notícias Xinhua.
A comitiva chinesa é chefiada pelo vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, enquanto os Estados Unidos são representados pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. As delegações se reuniram na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), buscando pavimentar o caminho para a visita do presidente americano Donald Trump a Pequim, prevista para abril.
De acordo com o Ministério do Comércio da China, as consultas são orientadas pelos consensos alcançados entre os presidentes Xi Jinping e Trump durante o encontro realizado em Busan, na Coreia do Sul, em novembro de 2025, e nas subsequentes conversas telefônicas.
Bessent declarou na quinta-feira (12) que, graças aos laços de respeito mútuo entre os dois líderes, o diálogo econômico avança positivamente.
Pauta do dia
As discussões devem se concentrar em questões estratégicas, incluindo tarifas comerciais, fluxo de minerais de terras raras chinesas para compradores americanos, controles de exportação de alta tecnologia e aquisições chinesas de produtos agrícolas norte-americanos.
Um dos resultados esperados envolve a retomada de investimentos recíprocos entre as duas economias, de acordo com o South China Morning Post, com ambos os países interessados em empreendimentos conjuntos estruturados e modelos de propriedade intelectual que resistam ao escrutínio político e regulatório.
A guerra no Irã, iniciada por Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em 28 de fevereiro, também pode ser pauta, especialmente pela dependência americana de terras raras chinesas para sistemas armamentistas avançados.
O encontro ocorre poucos dias após o governo Trump lançar investigações sob a Seção 301 da Lei Comercial de 1974 contra práticas comerciais consideradas desleais pela China e outras economias, medida que pode resultar em novas tarifas. Pequim criticou as investigações como "manipulação política" e reiterou que guerras comerciais não interessam a ninguém.
As duas partes devem revisar o cumprimento dos compromissos firmados na trégua comercial de outubro de 2025, declarada por Trump e Xi em Busan, que reduziu tarifas americanas sobre importações chinesas e suspendeu por um ano os controles rigorosos de exportação chinesa de terras raras.
Contudo, citados pelo jornal americano de negócios CNBC, analistas apontam que, com pouco tempo de preparação e a atenção de Washington voltada para a guerra contra o Irã, as perspectivas de avanços significativos são limitadas, tanto em Paris quanto na cúpula de Pequim.