O Japão pode entrar em uma posição de vulnerabilidade ao atender a pedidos do presidente dos EUA, Donald Trump, para que envie navios de guerra para o estreito de Ormuz, avaliaram especialistas citados pelo jornal Financial Times no sábado (14).
O pedido chega pouco antes da primeira visita da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, à Casa Branca, na quinta-feira (26), visando uma estratégia de reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em retaliação às agressões militares americano-israelenses contra o país, lançadas em 28 de fevereiro.
"Espero que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial enviem navios à região para que o estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça", escreveu Trump em sua conta no Truth Social.
O Japão possui uma grande frota naval, mas sua Constituição impede que intervenha em um conflito ativo. Citada pela imprensa japonesa, Takaichi afirmou ser difícil determinar quando uma mina iraniana é considerada abandonada, e, por isso, Tóquio não planeja enviar forças militares à região por enquanto.
Christopher Johnstone, especialista em política externa do Japão e ex-membro do Pentágono, destaca que a solicitação coloca Takaichi em uma situação complicada.
"É uma decisão delicada, que pode colocar em risco os navios da Marinha japonesa", ponderou.
Ele acrescentou que esse tipo de operação, contudo, seria possível em face de modificações de 2015 na legislação japonesa, possivelmente em referência à Lei de Paz e Segurança, aprovada naquele ano. A norma autorizaria o país a "fornecer o apoio logístico" às forças armadas de países estrangeiros que "atuem coletivamente em situações que ameaçam a paz e a segurança internacionais".
"E será difícil para Takaichi recusar, dado que o Japão depende do petróleo do Oriente Médio", completou Johnstone, ressaltando o antecedente do fim da Guerra do Golfo, em 1991, quando o Japão enviou navios caça-minas à região, em seu primeiro destacamento militar no exterior desde a Segunda Guerra Mundial.
Bloqueio do estreito de Ormuz
- Desde o início do ataque não provocado dos EUA e de Israel contra o Irã, os preços da energia têm apresentado grande volatilidade, especialmente devido ao fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
- A situação provocou alta nos preços do petróleo. No domingo (8), o barril registrou uma oscilação histórica: passou dos 100 dólares e chegou a quase 120 nas primeiras horas do dia. Apesar de ter recuado depois, a instabilidade ainda persiste.
- A Guarda Revolucionária iraniana declarou na segunda-feira (9) que permitirá a passagem pelo estratégico estreito a qualquer país que expulse os embaixadores dos EUA e de Israel, informou a agência iraniana ISNA. Na quarta-feira (11), a guarda reforçou que navios dos EUA e de seus aliados não podem atravessar essa via marítima.