Fechamento do Estreito de Ormuz pode provocar recessão global — The Economist

Segundo economistas, o desfecho do conflito no Oriente Médio está nas mãos do Irã, e não de Trump.

A agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode trazer graves consequências para a economia global, e o fechamento do Estreito de Ormuz contribui para a criação de uma verdadeira "formula para uma recessão global", aponta análise publicada na quarta-feira (12) pela The Economist.

O bloqueio da importante rota marítima, como retaliação iraniana, interrompe cerca de 15% do petróleo mundial, uma crise aproximadamente duas vezes mais severa que as crises do petróleo dos anos 1970. A Agência Internacional de Energia (AIE) liberou reservas de emergência, mas os preços continuam subindo, e produtos como gás natural liquefeito (GNL), fertilizantes e outras commodities também encarecem.

O impacto, no entanto, é desigual: os Estados Unidos se beneficiam temporariamente como exportador líquido de energia, embora a gasolina tenha subido 20%. A Europa sofre devido à alta dependência do GNL, enquanto a Ásia, Japão, Coreia do Sul e Índia, enfrenta os efeitos mais severos por depender do petróleo do Golfo, com moedas enfraquecidas e medidas de emergência.

Trump agravou a situação

O presidente dos EUA, Donald Trump, aparentemente agravou o problema ao declarar prematuramente uma vitória sobre o Irã, o que chegou a acalmar temporariamente os preços. Mas cada dia sem solução aumenta o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado de energia. Se o Estreito permanecer fechado por mais duas semanas, o preço do petróleo pode chegar a 150 ou 200 dólares por barril, repetindo a estagflação dos anos 70.

Os países do Golfo enfrentam interrupções massivas na produção de petróleo e turismo, com a imagem de estabilidade prejudicada. O banco de investimento Goldman Sachs estima quedas de dois dígitos no PIB de várias nações da região. Já países pobres da Ásia enfrentam déficits, redução de remessas e subsídios energéticos insustentáveis.

Sem uma rota segura para reabrir o Estreito, a inflação permanece alta e os bancos centrais perdem espaço de manobra. Segundo a revista, Irã controla o desfecho do conflito, não Trump, e o risco de recessão global cresce a cada dia.

Bloqueio do estreito de Ormuz