Vítimas, destruição e ameaça de invasão: Israel abre frente 'eterna' contra o Líbano em meio à agressão contra o Irã

Em meio à escalada no Oriente Médio provocada pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, Tel Aviv intensificou nos últimos dias os ataques contra o Líbano sob o pretexto de combater o Hezbollah.
Desde 2 de março, as Forças de Defesa de Israel vêm bombardeando diversos alvos em território libanês, incluindo a capital Beirute. Segundo o Exército israelense, os ataques têm como alvo centros de comando, armas e depósitos militares do Hezbollah.
No entanto, também circulam na imprensa relatos de bombardeios contra áreas civis. Um dos ataques teria atingido inclusive um hotel da rede americana Ramada, localizado no distrito central de Raouche, em Beirute.
A nova ofensiva israelense já deixou centenas de vítimas e provocou ampla destruição de infraestrutura no país árabe. O Ministério da Saúde do Líbano informou, citado pela Al Jazeera, que desde 2 de março o número de mortos nos ataques israelenses chegou a 826, enquanto ao menos 2 mil pessoas ficaram feridas.

Após o início, em 28 de fevereiro, da agressão contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, o Hezbollah passou a atuar ao lado de Teerã nos ataques contra Israel.
Em 11 de março, o movimento anunciou oficialmente o início da operação "Tempestade Decisiva" contra o Estado israelense, depois de lançar várias ondas de mísseis e drones em conjunto com o Irã. Em um dos ataques, o sistema antimísseis israelense conhecido como Cúpula de Ferro teria sido sobrecarregado e conseguiu interceptar apenas metade dos cerca de 100 projéteis disparados pelo grupo libanês.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o movimento está preparado para uma guerra prolongada e declarou que "não há solução além da resistência". Ele acusou os Estados Unidos e Israel de promover uma destruição "horrível" e "extremamente perigosa" de áreas residenciais e denunciou o deslocamento forçado de moradores de cidades inteiras no Líbano.
Segundo Qassem, sob o argumento de combater a resistência, as operações militares acabam "destruindo a vida" da população local.

Neste sábado (14), o site Axios informou, citando autoridades israelenses e americanas, que Israel estaria planejando criar uma zona de segurança para controlar toda a área ao sul do rio Litani por meio de uma ofensiva terrestre no sul do Líbano.
"Vamos fazer o mesmo que fizemos em Gaza", disse um alto funcionário israelense, referindo-se à demolição de edifícios que Tel Aviv afirma serem usados pelo Hezbollah para armazenar armas e lançar ataques.
De acordo com a publicação, a operação poderia se tornar a maior invasão terrestre israelense no Líbano desde 2006, com risco de resultar em uma ocupação prolongada de partes do território libanês.

Paralelamente, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou destruir a infraestrutura do Líbano e até tomar parte do território do país, alegando que o governo em Beirute ainda não conseguiu desarmar o Hezbollah.
Katz afirmou que o Líbano "pagará o preço completo" caso o grupo continue representando uma ameaça a Israel a partir de seu território, e advertiu que essa declaração seria "apenas o começo".
