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Premiê belga: Já que Europa não consegue 'estrangular' a Rússia, 'resta chegar a um acordo'

Bart de Wever afirma que líderes europeus concordam com sua posição em privado, mas não têm coragem de defender publicamente um acordo com Moscou.
Premiê belga: Já que Europa não consegue 'estrangular' a Rússia, 'resta chegar a um acordo'Gettyimages.ru / Philip Reynaers/Photonews

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart de Wever, afirmou neste sábado (14) que um acordo com a Rússia é atualmente a única forma de encerrar o conflito na Ucrânia. Declaração aconteceu durante entrevista ao portal L'Echo.

Segundo De Wever, os países europeus não conseguem "intimidar" o presidente russo, Vladimir Putin, por meio do envio de armas à Ucrânia nem "asfixiar" economicamente a Rússia sem a participação dos Estados Unidos. Diante desse cenário, ele afirmou que "só resta um método: chegar a um acordo".

O premiê destacou que o fim do conflito entre Kiev e Moscou interessa diretamente à Europa. Ao mesmo tempo, defendeu que o continente fortaleça sua segurança militar.

De Wever afirmou que os países europeus devem "se esforçar para alcançar um 'modus vivendi' vigilante" com a Rússia e trabalhar pela normalização das relações. Segundo ele, essa medida também permitiria recuperar o acesso a energia barata.

"É senso comum. Em privado, os líderes europeus me dizem que tenho razão, mas ninguém se atreve a dizer isso em voz alta", declarou o primeiro-ministro.

  • O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou repetidamente que seu país está empenhado em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, ele enfatizou que, em primeiro lugar, é preciso garantir a segurança da Rússia a longo prazo; por isso, é importante eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, que Moscou percebe como uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
  • A proposta de Moscou prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das províncias de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022) e que reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação da Rússia. Além disso, deve ser garantida a neutralidade, o não alinhamento, bem como a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.