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Governo dos EUA promove fórum em SP para ampliar exploração de minerais críticos no Brasil

Fórum na Amcham discute simplificação regulatória e preços mínimos garantidos, visando acesso estratégico ao Brasil, que possui segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China.
Governo dos EUA promove fórum em SP para ampliar exploração de minerais críticos no BrasilRedes sociais / Reprodução

O governo dos Estados Unidos intensificou esforços para ampliar o acesso de empresas norte-americanas à exploração de minerais críticos no Brasil, organizando o Fórum de Minerais Críticos para 18 de março de 2026 na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo. As informações foram divulgadas pelo jornal Poder360.

A iniciativa do governo Trump busca estabelecer acordos que concedam acesso preferencial a materiais como lítio, nióbio, cobalto e terras raras, essenciais para a produção de aparelhos eletrônicos e baterias.

As propostas dos EUA incluem simplificação de processos de licenciamento, estabelecimento de preços mínimos de compra como garantia de mercado e apoio conjunto dos dois governos para acelerar a exploração. A U.S. International Development Finance Corporation e o Export-Import Bank planejam oferecer até US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões) em financiamento para projetos já iniciados no território brasileiro.

A estratégia visa reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China, que atualmente domina o mercado de terras raras, sendo o Brasil detentor da segunda maior reserva mundial desses 17 elementos químicos essenciais.

Sentando-se à mesa

Em 5 de fevereiro, o Brasil participou da primeira Reunião Ministerial sobre Minerais Críticos em Washington, onde os EUA lançaram plano para criar zona de comércio preferencial no setor. O vice-presidente JD Vance defendeu na ocasião a "diversificação" da oferta global como objetivo estratégico comum, mencionando explicitamente preocupações geopolíticas sobre controle de cadeias de suprimentos — e, implicitamente, a disputa com a China.

O secretário adjunto Caleb Orr confirmou posteriormente, em 12 de fevereiro, que negociações com o Brasil estavam em andamento, destacando as ricas reservas brasileiras e a diversidade econômica do país como facilitadores do processamento de minerais.

O presidente Lula sinalizou abertura para negociações, mas estabeleceu condições claras de barganha. Em entrevista à imprensa indiana, durante sua viagem à Ásia no final de fevereiro, ele afirmou que o processamento dos minerais deve ocorrer em território brasileiro e que as negociações serão conduzidas de forma "soberana".

Paralelamente, Lula assinou memorando de cooperação com a Índia sobre terras raras e minerais críticos, reforçando parcerias com foco no processamento nacional e desenvolvimento sustentável. O presidente anunciou ainda a criação do Conselho Nacional de Política Mineral, ressaltando que o Brasil não aceitará mais ser visto apenas como fornecedor de matérias-primas sem valor agregado.