A Polícia Civil de Mato Grosso desmantelou na sexta-feira (13) um centro clandestino de treinamento armado do Comando Vermelho localizado dentro da Terra Indígena Tereza Cristina, em Santo Antônio de Leverger, município no sul do estado.
A chamada Operação Argos decorreu de denúncias de tráfico de drogas na aldeia Tereza Cristina (Korogedo Paru), nas proximidades do Rio São Lourenço. A investigação durou aproximadamente dez meses e revelou que o local era destinado à preparação de adolescentes e jovens em técnicas de combate, sobrevivência na selva e manuseio de armamento pesado, vinculado à disputa territorial com o PCC pelo controle de rotas do tráfico na fronteira entre Brasil e Bolívia.
Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos na ação de sexta-feira, resultando na apreensão de duas espingardas e dezenas de munições de diversos calibres. Buscas mais detalhadas na ilha teriam sido dificultadas pela vegetação densa e pelos alagamentos na região.
Os dois principais suspeitos de operar a célula local foram identificados como "Pescador" e "Corola"/"Fininho", pontados como responsáveis, respectivamente, por receber grandes quantidades de drogas transportadas por embarcações, vindas de Mato Grosso do Sul, e armazenar e distribuir o material para traficantes de diversas cidades. Ambos também atuavam como instrutores do curso clandestino destinado a membros da facção.
Curso intensivo
O treinamento incluía inicialmente o ensino de montagem e desmontagem de armamentos, antes de conduzirem os aprendizes de barco até uma ilha isolada no Rio São Lourenço, onde realizavam exercícios com disparos reais. O deslocamento pelo rio buscaria evitar que a comunidade indígena ouvisse o barulho dos tiros.
Segundo a polícia, eram utilizados fuzis calibres .556 e .762, pistolas .40 e 9mm, metralhadoras e até armamento calibre .30 montado em tripé, armas de uso restrito às forças de segurança brasileiras.
O delegado Fábio Nahas, responsável pela investigação, afirmou à Folha de São Paulo que não há indícios de participação dos moradores da aldeia nas atividades criminosas, sendo trabalhada a hipótese de que a comunidade tenha sido coagida a tolerar o uso do local.