O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (14) através de sua plataforma Truth Social que múltiplas nações enviarão embarcações militares em coordenação com Washington para assegurar a navegabilidade do Estreito de Ormuz.
"Muitos países, especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra, em colaboração com os Estados Unidos da América, para manter o estreito aberto e seguro", escreveu o presidente na Truth Social.
Trump assinalou expectativas de que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados pelo bloqueio iraniano contribuam com navios para a região, enfatizando que, enquanto isso, os Estados Unidos continuarão bombardeando a costa iraniana com intensidade e destruindo embarcações do país.
O líder norte-americano declarou ter eliminado completamente a capacidade militar do Irã, embora reconheça que a nação permanece capaz de lançar drones, depositar minas ou disparar mísseis de curto alcance ao longo do estreito.
Divergências de informação
Apesar das expectativas declaradas de mudança de regime e clamores de vitória sobre uma suposta iminência de rendição do Irã sob alegações de eliminação de suas capacidades militares, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, prometeu vingança e ordenou a continuidade do bloqueio do Estreito de Ormuz em seu primeiro pronunciamento à nação, na quinta-feira (12).
O alto escalão do governo Trump, por sua vez, falha em se apresentar como uma frente unificada diante da crise. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, admitiu na quinta-feira que a Marinha dos EUA ainda não estava preparada para escoltar navios— apesar das declarações de Trump no sentido contrário — pois todos os recursos militares se concentram em destruir as capacidades ofensivas iranianas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, por sua vez, reafirmou a possibilidade da escolta, condicionando-a ao estabelecimento de "controle total dos céus" iranianos.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, na sexta-feira (13), minimizou as preocupações em face do fechamento do estreito e da alta dos combustíveis, afirmando que o Pentágono havia previsto o fechamento e que trabalham pela reabertura gradual.
Enquanto isso, França e Itália iniciaram negociações diretas com Teerã buscando acordos para garantir passagem segura de suas embarcações pelo estreito. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a declarar conversas com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, sobre liberdade de navegação, após anunciar em 9 de março que a França contribuiria com uma missão "estritamente defensiva" envolvendo oito fragatas, dois navios de assalto anfíbio e o porta-aviões Charles de Gaulle.
Paralelamente, fontes indicaram à imprensa internacional que o governo iraniano teria autorizado a passagem de dois navios indianos carregados com gás liquefeito através do estreito, possivelmente aliviando a crise energética enfrentada pela Índia, Estado-membro dos BRICS, assim como o próprio Irã.
Bloqueio do estreito de Ormuz
- Desde o início do ataque não provocado dos EUA e de Israel contra o Irã, os preços da energia têm apresentado grande volatilidade, especialmente devido ao fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
- A situação provocou alta nos preços do petróleo. No domingo (8), o barril registrou uma oscilação histórica: passou dos 100 dólares e chegou a quase 120 nas primeiras horas do dia. Apesar de ter recuado depois, a instabilidade ainda persiste.
- A Guarda Revolucionária iraniana declarou na segunda-feira (9) que permitirá a passagem pelo estratégico estreito a qualquer país que expulse os embaixadores dos EUA e de Israel, informou a agência iraniana ISNA. Na quarta-feira (11), a guarda reforçou que navios dos EUA e de seus aliados não podem atravessar essa via marítima.