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'Não temos soberania', diz Tucker Carlson sobre postura dos EUA em relação a Israel

"Os presidentes dos EUA não podem simplesmente tomar qualquer decisão que quiserem em nome do país", disse o jornalista, apontando que "existem outras forças que os limitam".
'Não temos soberania', diz Tucker Carlson sobre postura dos EUA em relação a IsraelChip Somodevilla / Gettyimages.ru

O jornalista americano Tucker Carlson afirmou que os Estados Unidos "deixaram que Israel os arrastasse para a guerra contra o Irã", o que, segundo ele, "não é a forma como um país soberano se comporta, nem como deveria se comportar".

"Não temos soberania de verdade. Está claro que não temos. Se seguimos um país de 9 milhões de pessoas para uma guerra que pode nos deslocar como superpotência dominante, não temos soberania", declarou Carlson em entrevista ao apresentador britânico Piers Morgan na sexta-feira (13).

O jornalista ressaltou que Israel exerce pressão sobre as administrações americanas há décadas, seja em conflitos no Oriente Médio ou na venda de armas ao Estado judeu. Essa influência, segundo ele, também levou à guerra atual e à chamada "guerra de 12 dias" em junho passado contra o Irã, ambas iniciadas por Israel.

Por isso, afirmou, "é difícil para quem defendeu a guerra aceitar que seu único objetivo não é ajudar os Estados Unidos". "Nem mesmo é ajudar Israel. É ajudar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu", completou.

Carlson acrescentou que "não há um objetivo real de longo prazo para Israel nessa guerra que garanta estabilidade e paz". "Isso é um desastre para Israel", enfatizou.

EUA e objetivos incertos

Sobre os objetivos dos EUA no conflito, Carlson afirmou que "desde a guerra do Iraque ninguém vai admitir jamais que se equivocou".

"Quem controlará o estreito de Ormuz daqui a três anos? Existe alguma base militar americana em Bahrein? E a Quinta Frota, onde está agora? Quem controla os fluxos de energia que saem do Oriente Médio? São fenômenos mensuráveis", exemplificou.

Para ele, "agora está muito claro que o presidente dos EUA, dentro do sistema atual, não tem a liberdade de ação que se acreditava que tinha".

"Ou seja, os presidentes não podem simplesmente tomar qualquer decisão que queiram em nome do país. Existem outras forças que os limitam”, explicou.

Carlson ainda disse que "todos os presidentes sentiram isso desde que John F. Kennedy foi assassinado" e que, desde então, "agiram dentro desses limites, com ou sem sabedoria, mas sempre dentro de regras que eles não estabeleceram, que nenhum americano estabeleceu".