
Ator palestino é impedido de comparecer ao Oscar 2026 por restrição de Trump

O ator palestino Motaz Malhees, protagonista de filme nomeado ao Oscar, anunciou em suas redes sociais às vésperas da cerimônia que está impossibilitado de comparecer à cerimônia, devido a uma proibição de entrada nos EUA imposta pelo governo de Donald Trump.

"Não tenho autorização para entrar nos Estados Unidos devido à minha cidadania palestina", escreveu Malhees. Apesar de apontar que a situação é dolorosa, o ator reafirmou a mensagem do filme que representa frente à medida, declarando que "podem bloquear um passaporte, não podem bloquear uma voz".
Malhees protagoniza "A Voz de Hind Rajab", indicado na categoria de melhor longa-metragem internacional. O filme retrata a história verídica de Hind Rajab, menina palestina de cinco anos morta por forças israelenses em Gaza em 2024. No longa, Malhees interpreta Omar, operador voluntário do Crescente Vermelho Palestino que tenta auxiliar a criança durante bombardeios de Israel.

O incidente real que inspirou a produção ocorreu em 29 de janeiro de 2024, quando Hind Rajab, de cinco anos de idade, ficou presa no carro da família após ataque de forças israelenses. A criança teria sobrevivido ao tiroteio inicial, implorando por ajuda enquanto agonizava e sangrava até a morte entre os corpos de seus parentes, permanecendo no telefone com paramédicos e sua mãe por três horas.
Investigação do grupo Forensic Architecture, da Universidade de Londres, revelou que foram encontradas 335 marcas de balas no veículo, disparadas de um tanque Merkava israelense posicionado a uma distância do carro na qual seria impossível não identificar a presença de civis e crianças. A cena do crime teria sido posteriormente adulterada.
Restrição de visto
A restrição de viagem que obstruiu a presença de Malhees na cerimônia decorre de uma proclamação presidencial de dezembro, em que Trump determinou "restringir e limitar completamente a entrada de indivíduos utilizando documentos de viagem emitidos ou endossados pela Autoridade Palestina". A medida, que entrou em vigor em 1º de janeiro, foi justificada por razões de segurança nacional.
Este não é o primeiro episódio de artistas impedidos de participar da premiação devido a restrições de viagem norte-americanas. Em 2017, o diretor iraniano Asghar Farhadi, cujo filme "O Vendedor" venceu a estatueta na cateogira de melhor longa estrangeiro, anunciou antes da cerimônia que não compareceria ao Oscar em decorrência da proibição de entrada imposta por Trump a cidadãos de sete países de maioria muçulmana, incluindo o Irã.

