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Secretário de Guerra pode ser primeira decapitação política da guerra contra o Irã — The Telegraph

Ser o rosto público de um conflito caríssimo e bastante impopular também coloca Pete Hegseth na linha de fogo.
Secretário de Guerra pode ser primeira decapitação política da guerra contra o Irã — The TelegraphKevin Dietsch / Gettyimages.ru

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, assumiu o papel não oficial de principal porta-voz da guerra contra o Irã, preenchendo o vácuo criado pela abordagem dispersa de Donald Trump ao comunicar suas razões para o conflito, avaliou reportagem do The Telegraph na sexta-feira (13).

Preferindo um tom beligerante e quase teatral em suas coletivas de imprensa, Hegseth já afirmou que a guerra lançada contra o Irã "não é para ser uma luta justa", disse que os Estados Unidos "atacam quando o inimigo está no chão" e prometeu "morte e destruição vindas do céu".

Fontes citadas pelo jornal britânico, contudo, acreditam que a Casa Branca deliberadamente colocou Hegseth na linha de frente midiática de um conflito extremamente caro e politicamente impopular, possivelmente como estratégia de proteção presidencial.

"É muito possível que o presidente Trump esteja armando uma cilada para ele", sugeriu um ex-funcionário da Casa Branca, citado anonimamente.

John Ullyot, ex-porta-voz de Hegseth e veterano do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, criticou a "tendência ao espetáculo" e à "autopromoção" do antigo chefe. Segundo ele, esse estilo pode combinar com o passado de Hegseth como apresentador de debates na Fox News, mas seria "totalmente inadequado" para um chefe da Defesa em meio a uma operação militar.

Saco de pancadas

Ao mesmo tempo, programas humorísticos já passaram a parodiar Hegseth como um personagem agressivo, sensível a críticas e com problemas com álcool. Em Washington, a comparação inevitável é com Sean Spicer, primeiro porta-voz da Casa Branca no primeiro mandato de Trump, que virou alvo frequente de comediantes e deixou o cargo após 15 meses.

O espaço político de Hegseth também se estreita em face do precedente inaugurado pela ex-secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem. Em seu segundo mandato, Trump evitava lançar bodes expiatórios à imprensa pelas polêmicas de seu governo — até Noem foi afastada, desgastada por uma série de declarações polêmicas e um anúncio milionário ligado à sua autopromoção.

Assessores da Casa Branca identificariam semelhanças entre as trajetórias de Noem e Hegseth; para além de se comportarem mais como políticos obcecados pela própria imagem do que gestores, ambos se assemelham em sua exposição a contradições vindas diretamente do Salão Oval.

Um exemplo de direto descrédito de declarações de Hegseth se mostrou claro quando afirmou à imprensa no domingo (8) que a guerra estava "apenas começando". O preisdente Trump, horas depois, indicou que o conflito estava "muito completo" e poderia terminar "muito em breve".

Caso Trump consiga declarar o fim das operações no Irã sem ser humilhado ou sugado para uma "guerra eterna", seu secretário de Defesa poderá desfrutar da glória refletida. Caso contrário, pode se tornar a primeira baixa política do conflito, seguindo o precedente de Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa dos EUA, afastado por George W. Bush após uma guerra impopular no Oriente Médio.