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Ministério da Agricultura viaja à China para negociar fiscalização de soja

A viagem ocorre em contexto delicado para as exportações brasileiras, após a multinacional alimentícia Cargill ter suspendido suas operações de venda de soja ao mercado chinês por reclamações sanitárias do país.
Ministério da Agricultura viaja à China para negociar fiscalização de sojaGettyimages.ru / Paulo Fridman / Contributor

O Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, embarcará para a China no dia 20 de março, com retorno previsto para 29 do mesmo mês, informou a assessoria de comunicação do órgão ao Globo Rural. Durante a missão, o secretário discutirá questões relacionadas à fiscalização de cargas brasileiras de grãos e as exigências fitossanitárias impostas pelo governo chinês.

A viagem ocorre em contexto delicado para as exportações brasileiras, após a multinacional alimentícia Cargill ter suspendido suas operações de venda de soja ao mercado da China, de acordo com o jornal britânico Reuters. Segundo o presidente da companhia no Brasil, Paulo Sousa, a interrupção decorreu de mudanças no processo de inspeção das cargas nos portos brasileiros, que se tornaram mais rigorosas após solicitação do governo chinês. Ao menos 20 navios carregados aguardam liberação, e outras tradings como Cofco e CHS também relataram dificuldades nos embarques.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, esclareceu à Folha de São Paulo que não houve alteração no sistema, mas sim uma intensificação da fiscalização motivada por reclamações chinesas. O problema central envolve a presença de sementes de ervas daninhas que não constam no protocolo bilateral, embora a soja brasileira atenda aos padrões comerciais estabelecidos.

As alfândegas chinesas teriam identificado problemas crescentes nos carregamentos brasileiros, segundo a Reuters, incluindo presença de insetos vivos, grãos revestidos com pesticidas ou fungicidas, além de danos por calor. O enrijecimento das verificações durante a temporada de pico de exportações brasileiras pode comprimir o abastecimento chinês, embora o mercado esteja bem abastecido após compras recordes no ano anterior, potencialmente abrindo oportunidade para fornecedores americanos.