
EUA deportam mais migrantes para a África após acordo com Eswatini

Eswatini recebeu um terceiro grupo de migrantes deportados dos Estados Unidos, apesar das preocupações da União Africana de que governos ocidentais estariam transferindo para o continente africano o peso de suas políticas migratórias. A informação foi divulgada pela Reuters na quinta-feira (12).
O novo grupo de quatro pessoas — um cidadão da Tanzânia, um do Sudão e dois da Somália — eleva para pelo menos 19 o número de deportados enviados ao país do sul da África desde julho de 2025, após um acordo controverso firmado com o governo do presidente Donald Trump.

Segundo o governo de Eswatini, esforços estão em andamento para repatriar os migrantes para seus países de origem. As transferências fazem parte de uma política mais ampla de endurecimento migratório da administração Trump, após a Suprema Corte dos EUA retirar restrições à deportação de migrantes para países com os quais não possuem vínculo.
Desde que voltou à Casa Branca em 2025, Trump restabeleceu diversas medidas rígidas de imigração, prometidas durante a campanha para reverter o que chamou de políticas de "fronteiras abertas" de seu antecessor Joe Biden. Guiné Equatorial, Gana, Ruanda, Uganda, Camarões e Sudão do Sul também aceitaram receber deportados dos EUA.
O acordo com Washington gerou protestos em Eswatini. Advogados de direitos humanos afirmam que alguns deportados, mesmo após cumprirem penas nos EUA, estariam sendo mantidos em uma prisão de segurança máxima enquanto aguardam repatriação. A Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos alertou que tais acordos podem expor migrantes a maior risco de violações de direitos.
Proposta semelhante feita ao Brasil
Propostas semelhantes também foram apresentadas a outros países. No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve rejeitar uma proposta dos EUA para que o país receba estrangeiros detidos em território norte-americano em prisões nacionais.
Diplomatas brasileiros apontam que a transferência de presos estrangeiros não está prevista na legislação nacional e que outras demandas americanas, como o compartilhamento de dados biométricos de refugiados, podem entrar em conflito com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As propostas fazem parte de negociações de cooperação bilateral no combate ao crime organizado iniciadas após uma conversa entre Lula e Trump em dezembro de 2025.
