
Rússia retorna à Bienal de Veneza apesar de pressão da União Europeia

A Rússia confirmou, em 3 de março, seu retorno à Bienal de Veneza, na Itália, mesmo com críticas e pressão de autoridades da União Europeia. A participação russa ocorrerá antes da abertura oficial do evento, durante sessões de pré-estreia, segundo informou Mikhail Shvydkoi, representante especial do presidente russo para a cooperação cultural internacional.

A Comissão Europeia reagiu à decisão da Fundação Bienal de permitir a reabertura do pavilhão russo e ameaçou cortar financiamento destinado ao evento. Em declaração conjunta, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, e o comissário Glenn Micallef criticaram a medida e alertaram que o bloco poderá suspender ou cancelar uma subvenção em andamento à fundação caso a decisão seja mantida.
Além disso, ministros da Cultura e das Relações Exteriores de mais de 20 países europeus, entre eles Alemanha, França e Espanha, enviaram uma carta ao presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, classificando a presença da Rússia como "inaceitável".
O ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, afirmou que o governo italiano discorda da decisão, mas ressaltou que a escolha foi "totalmente autônoma" da Fundação Bienal.
Programação russa
De acordo com Shvydkoi, a reação europeia já era esperada. Segundo ele, a direção da Bienal também previa que a decisão geraria repercussão.
"Tenho certeza de que, quando tomamos essa decisão em conjunto com a direção da Bienal, todos entenderam que ela não passaria despercebida", disse.
O representante russo classificou como "séria" a ameaça de retirada de subsídios por parte da Comissão Europeia, mas afirmou que o projeto será mantido.
"Tudo pode acontecer, mas não sou pessimista. Sou até cautelosamente otimista. Veremos", declarou. Shvydkoi acrescentou que, caso a apresentação não ocorra em Veneza, "será ainda pior para o público veneziano".
Pavilhão russo na Bienal
Fundada em 1895, a Bienal de Veneza é uma das principais exposições internacionais de arte contemporânea do mundo. O Pavilhão Russo nos Jardins da Bienal foi inaugurado em 1914 e já recebeu obras de mais de 800 artistas soviéticos e russos, segundo a agência RIA Novosti.
Ausente desde 2022, o espaço será reaberto com o projeto multicultural
"A árvore está enraizada no céu", dedicado à arte e à ideia de eternidade. De acordo com os organizadores, mais de 50 jovens músicos, poetas e filósofos da Rússia e de outros países participarão da programação. A proposta da exposição afirma que "a política existe em dimensões temporais, enquanto as culturas se comunicam na eternidade".

