
Fundação denuncia soldados israelenses no Brasil por crimes de guerra

O Ministério Público Federal solicitou a abertura de três inquéritos à Polícia Federal para investigar soldados israelenses em território brasileiro. A decisão atende a denúncias protocoladas em 2 de março pela Fundação Hind Rajab (HRF), que divulgou a informação nesta sexta-feira (13).
As queixas, segundo a HRF, apontam a presença dos militares em locais como Itacaré e Morro de São Paulo, na Bahia, e na Ilha do Campeche, em Santa Catarina. O grupo é acusado de envolvimento em crimes de guerra e atos de genocídio na Faixa de Gaza.

Entre os citados está um integrante do Batalhão Shaked, da Brigada Givati, unidade vinculada a ataques em Gaza. As evidências apresentadas pela fundação incluem a destruição de praças e mesquitas em áreas civis palestinas entre 2023 e 2025.
A fundação informou que um dos soldados identificados já deixou o Brasil. De acordo com a entidade, a saída teria sido organizada para obstruir o processo judicial e evitar a responsabilização por crimes internacionais.
"O que estamos testemunhando aqui vai além de uma simples investigação. Faz parte de uma luta global entre responsabilização e impunidade", afirmou Dyab Abou Jahjah, diretor-geral da fundação. "Quando os procuradores reconhecem a jurisdição sobre os crimes cometidos em Gaza, reafirmam um princípio básico do direito internacional: os autores de genocídio e crimes de guerra não podem viajar pelo mundo como se nada tivesse acontecido. As tentativas de contrabandear suspeitos para fora do Brasil apenas confirmam a necessidade dessas investigações", acrescentou.
De acordo com a HRF, o Ministério Público Federal encaminhou o caso à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal. O órgão classificou a instauração das investigações policiais como imperativa para apurar as condutas relatadas.
Caso anterior
O soldado israelense Yuval Vagdani deixou o Brasil em janeiro de 2025 após a Justiça Federal determinar a investigação de supostos crimes de guerra cometidos por ele na Faixa de Gaza. O militar passava férias em Morro de São Paulo, na Bahia, quando foi alvo de uma denúncia protocolada pela HRF.
As acusações basearam-se em evidências de vídeo e geolocalização que mostravam o soldado participando da demolição de infraestruturas civis e plantando explosivos em bairros residenciais palestinos. A fundação solicitou a prisão imediata do suspeito, citando o risco de fuga e a gravidade dos atos, classificados como crimes contra a humanidade.
Após a decisão judicial, segundo a entidade, o governo de Israel acompanhou a saída rápida do militar do território brasileiro, enquanto a embaixada do país afirmou que ele partiu por conta própria.
- A Hind Rajab Foundation é uma organização dedicada a responsabilizar judicialmente pessoas acusadas por crimes de guerra e violações de direitos humanos contra palestinos, buscando combater a impunidade por meio de litígios em tribunais nacionais e internacionais e da conscientização global sobre o conflito em Gaza.

