
Itália retira tropas de base no Oriente Médio

O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, disse na quinta-feira (12) que o país está evacuando suas tropas localizadas na base de Camp Singara, em Erbil (região do Curdistão iraquiano).
A razão pela retirada foi um drone Shahed de fabricação iraniana, que atingiu a instalação onde se encontra um contingente de militares italianos.
"Já trouxemos de volta à Itália 102 pessoas dessa missão, transferimos cerca de 40 para a Jordânia e, para os demais, o retorno já estava sendo planejado, o que não é fácil porque não é possível enviar um avião, portanto deve ser feito por terra, provavelmente através da Turquia", detalhou o alto funcionário.
Retirada "temporária"

As autoridades do país europeu indicaram que não houve feridos, embora um caminhão tenha pegado fogo. Segundo Crosetto, não se tratou de um erro de pontaria, pois o Irã teria tido a intenção de atacar a base italiana de Camp Singara "porque é uma base da OTAN e também dos Estados Unidos".
Há dias, a estratégia de Roma consiste em reduzir o efetivo, e os números dessa reestruturação ainda estão sendo avaliados. Sem descartar nenhum cenário, o ministro ressaltou que a ideia de abandonar completamente a missão é difícil e ainda não foi considerada.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do país, Antonio Tajani, sem revelar o número exato de militares, afirmou que "não faz sentido deixá-los expostos ao risco de bombas, drones e mísseis que continuam chegando. Devemos garantir a segurança de nossos soldados, assim como garantimos a segurança de nossos compatriotas que trabalham e atuam nessas partes do mundo".
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações sobre a substituição de sistemas militares onerosos dos EUA.
