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Gilmar Mendes leva ao plenário do STF decisão sobre quebras de sigilo que alcançaram Lulinha

Pedido de destaque interrompe julgamento virtual na Suprema Corte sobre decisão que anulou medidas aprovadas pela CPMI do INSS.
Gilmar Mendes leva ao plenário do STF decisão sobre quebras de sigilo que alcançaram LulinhaFellipe Sampaio/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu destaque e levou para julgamento presencial a análise sobre a decisão que anulou quebras de sigilo aprovadas pela CPMI do INSS e que alcançaram Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. De acordo com informações publicadas pelo portal g1, com o pedido, o julgamento virtual foi interrompido e será reiniciado no plenário físico da Corte.

Antes da interrupção, o ministro Flávio Dino havia votado para manter sua decisão que invalidou as quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático aprovadas pela comissão parlamentar. O caso estava sendo analisado por dez ministros no plenário virtual do STF, onde os votos poderiam ser registrados até a próxima sexta-feira (20).

Com o pedido de destaque, o placar do julgamento virtual é zerado e a análise passa a ocorrer presencialmente, com debate oral entre os ministros.

Quebras de sigilo

O Supremo foi acionado pela defesa da empresária Roberta Luchsinger, que questionou as medidas aprovadas pela CPMI. Inicialmente, Flávio Dino suspendeu as quebras de sigilo relacionadas à empresária.

Posteriormente, o ministro anulou a votação conjunta de 87 requerimentos aprovados pela comissão, apontando falta de individualização na análise dos pedidos. A decisão acabou beneficiando também o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dados de Fábio Luís Lula da Silva já haviam sido enviados à CPMI que investiga fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Após a decisão de Dino, porém, essas informações não podem ser utilizadas na elaboração do relatório final da comissão.

Investigação e mensagens citadas pela PF

O nome de Lulinha passou a ser citado por parlamentares da oposição após a Polícia Federal identificar mensagens trocadas entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e a empresária Roberta Luchsinger.

No fim de 2025, Roberta foi alvo de uma operação da PF por suspeita de ter recebido R$ 1,5 milhão de Antunes. Nas mensagens, a quantia aparece associada ao "filho do rapaz", expressão que, segundo investigadores, faria referência ao filho do presidente.

Na ocasião, a Polícia Federal afirmou em relatório que não havia indícios de participação direta de Lulinha nas fraudes investigadas no INSS.

A decisão de Flávio Dino não afetou quebras de sigilo solicitadas pela Polícia Federal e autorizadas pelo ministro André Mendonça.