O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil entre 60 países sob investigação por possível entrada de produtos fabricados com trabalho forçado no mercado norte-americano, apontou na quinta-feira (12) o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
A lista abrange nações como China, Índia, Rússia, Argentina e aliados tradicionais, incluindo Reino Unido, Canadá e membros da União Europeia.
O processo se baseia na chamada Seção 301, legislação que permite ao governo norte-americano analisar barreiras e desequilíbrios no comércio internacional, possibilitando imposição de novas tarifas comerciais contra o Brasil.
"Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem artificial de custo, obtida com o flagelo do trabalho forçado", diz o embaixador e Representante Comercial Jamieson Greer.
As apurações ganham força após a Suprema Corte dos EUA declarar a ilegalidade de diversas tarifas globais impostas pelo governo Donald Trump, no dia 20 de fevereiro. O Brasil, que se tornou um dos maiores beneficiados pela derrubada das medidas tarifárias, foi mantido na mira das pressões comerciais do governo Trump.
O país já enfrenta outro processo sob a mesma legislação, iniciado em 2025 e ainda não concluído, que investiga o uso do Pix como meio de pagamento e o comércio irregular na região da 25 de Março em São Paulo, por exemplo, além de questões sobre proteção à propriedade intelectual, taxas de importação e desmatamento.
Frente às novas investigações sobre condições de trabalho, para o Brasil, o setor agrícola é apontado como o de maior risco, de acordo com informação publicada pelo Times Brasil nesta sexta-feira (13).
Produtores americanos já haviam acusado companhias brasileiras de utilizar mão de obra em condições análogas à escravidão, avaliada como uma vantagem artificial de custo em relação aos concorrentes nos Estados Unidos.
"Essas investigações irão determinar se governos estrangeiros adotaram medidas suficientes para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado e de que forma a falha em erradicar essas práticas abomináveis afeta trabalhadores e empresas dos Estados Unidos" acrescetou Greer.