França e Itália iniciaram conversas com Irã buscando um acordo para garantir passagem segura de seus navios pelo Estreito de Ormuz, informou o Financial Times nesta sexta-feira (13), citando fontes a par das negociações.
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O estreito é um ponto crítico do comércio global por concentrar cerca de 25% do petróleo transportado por mar no mundo, trafegando também grandes volumes de gás natural liquefeito e fertilizantes. O fluxo pelo estreito foi praticamente paralisado após ameaças e ataques iranianos contra navios petroleiros e a determinação do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, de manter o bloqueio em retaliação às hostilidades dos EUA e de Israel contra o país.
Os impactos já aparecem nos preços. O gás natural registrou alta de 74% em poucos dias, enquanto o combustível usado por navios subiu quase 100%, pressionando os custos de transporte.
As nações europeias buscam restabelecer o escoamento energético do Golfo Pérsico, embora três representantes governamentais tenham advertido à reportagem que não há certeza sobre avanços nas tratativas ou real disposição iraniana para negociar.
Embora Itália, França e Grécia mantenham navios de guerra no Mar Vermelho através da missão naval ASPIDES, da União Europeia, nenhuma marinha europeia demonstra disposição para escoltar embarcações por Ormuz sob risco de ataque.
O presidente francês Emmanuel Macron declarou que a marinha francesa se prepara para participar de escoltas, tendo conversado com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sobre a necessidade de garantir a liberdade de navegação. Paralelamente, o ministro da defesa da Itália, Guido Crosetto, notificou à imprensa italiana esforços para articular posicionamento europeu unificado, buscando uma solicitação formal para permitir o trânsito de navios de países não hostis pelo estreito estratégico.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.400 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
- O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
As forças armadas dos EUA divulgaram um relatório após os primeiros 10 dias de operações, apontando que "mais de 5 mil alvos" teriam sido atingidos, incluindo "mais de 50" navios iranianos danificados ou destruídos. Por sua vez, as Forças Armadas iranianas relataram mais de 40 ondas de ataques contra os responsáveis pela agressão.
Enquanto Trump continua a afirmar que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam para os custos insustentáveis de continuidade das ações militares em face das capacidades ofensivas barateadas do Irã, que levaram a preocupações de substituição de sistemas onerosos dos EUA.