Autoridades cubanas conversam com governo dos EUA, diz presidente de Cuba

Os contatos foram supervisionados pelo líder revolucionário e ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, e buscam solucionar as divergências entre os dois países por meio do diálogo.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira (13) que seu governo mantém contato com autoridades dos EUA, em meio à crescente pressão de Washington sobre a ilha.

Os encontros, supervisionados pelo presidente cubano e pelo líder revolucionário Raúl Castro, "tiveram como objetivo encontrar soluções por meio do diálogo" para as diferenças entre os dois países. 

Nos contatos, descritos como "respeitosos", Cuba reiterou sua disposição de realizar ações em benefício de ambos os povos, com um diálogo que visa evitar confrontos.

"Não tem sido, nem é, nossa prática responder a campanhas especulativas sobre esse tipo de questão", afirmou em um pronunciamento público, enfatizando que o assunto está sendo tratado com seriedade e responsabilidade "porque afeta as relações bilaterais" e "exige esforços enormes e árduos para encontrar uma solução e criar espaços para o entendimento".

Ele enfatizou que o lado cubano deixou claro que qualquer negociação deve envolver o respeito à soberania e à autodeterminação dos governos: "Isso foi proposto levando em consideração o senso de reciprocidade e a adesão ao direito internacional."

Conversas com Moscou

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, conversou por telefone com seu homólogo russo, Sergey Lavrov, discutindo diversas questões cruciais nas relações bilaterais e na agenda internacional, na quinta-feira (12). 

Lavrov reafirmou a rejeição da Moscou com relação à pressão econômica e política exercida pelos EUA sobre Cuba e expressou seu firme apoio ao povo cubano na defesa de sua soberania estatal e de seu direito de escolher seu próprio caminho de desenvolvimento.

Ameaças de Trump a Cuba

Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região.

O texto acusa, sem provas, o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de acolher "grupos terroristas transnacionais" como o Hamas e o Hezbollah, e de permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

Assim, Washington anunciou a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que atuem de forma contrária à ordem executiva da Casa Branca.

Posteriormente, Trump reconheceu que seu governo mantinha contatos com Havana e indicou que pretendem chegar a um acordo, embora tenha classificado o Cuba como uma "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.

Isso tudo ocorre em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Havana há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

Em 7 de março, Trump anunciou: "Uma grande mudança está chegando em breve a Cuba". Ele também afirmou que a nação caribenha está chegando "ao fim do caminho".