O Exército alemão recrutará dezenas de instrutores militares ucranianos para treinar suas tropas na defesa contra um "possível ataque russo" à OTAN até 2029, revelou o chefe das forças terrestres da Alemanha, tenente-general Christian Freuding, à Reuters na quarta-feira (11). O acordo foi firmado em fevereiro.
Os ucranianos devem transmitir conhecimentos especializados em artilharia, engenharia de combate, guerra com drones e sistemas de comando e controle.
"Isso é quase depois de amanhã. Não temos tempo – o inimigo não espera que declaremos que estamos prontos", afirmou Freuding.
A Rússia, por sua vez, rejeitou veementemente qualquer narrativa de "ataque russo".
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Inversão de papéis
Somente a Alemanha treinou mais de 24 mil soldados ucranianos desde 2022 e tem sido um dos principais apoiadores de Kiev no conflito. Berlim também destinou bilhões em ajuda militar a Kiev desde a escalada do conflito entre a Rússia e Ucrânia em 2022.
O anúncio surge em meio a uma crescente militarização da Europa, com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, insistindo consistentemente que os membros a adotem uma "mentalidade de guerra".
Rússia não tem intenção de atacar a Europa
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou em novembro que seu país nunca teve intenção de atacar a Europa, acrescentando que Moscou está disposta a reafirmar isso em documento.
"Uma coisa é dizer em termos gerais que a Rússia não tem intenção de atacar a Europa. Isso soa ridículo para nós. Nunca foi nossa intenção, mas se eles querem ouvir isso de nós, estamos prontos para colocar por escrito", declarou.
Putin denuncia que líderes europeus tentam convencer seus cidadãos de que Moscou representa uma "ameaça" e que seria preciso reforçar a defesa.
"Do nosso ponto de vista, isso é um completo absurdo e uma mentira", afirmou o presidente russa.