
'Estaremos na profunda merda': Premiê da Eslováquia adverte contra envio de tropas à Ucrânia

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, em conversa com estudantes no gabinete do governo na quinta-feira (12), advertiu os países da OTAN contra o envio de tropas à Ucrania.
Para o premiê, um movimento do tipo poderia levar a uma interpretação que ativaria o princípio de defesa coletiva da Aliança e mergulharia todos em um conflito catastrófico.

Fico enfatizou que não aceitaria o envio de militares eslovacos para a Ucrânia, classificando a ideia como "uma aventura militar grande demais".
"O que aconteceria assim que alguns soldados de países membros da OTAN entrarem no território da Ucrânia? E se ocorrer um confronto entre os russos e esses soldados?" questionou.
"Alguém poderia interpretar isso como um ataque contra Estados membros da OTAN, alguém poderia ativar o Artigo 5, e estaremos todos em profunda merda. E perdoem a expressão", declarou.
O Artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte estabelece que um ataque armado contra um membro deve ser considerado um ataque contra todos, devendo levar a uma resposta militar conjunta.
O premiê eslovaco também expressou ceticismo quanto à estratégia ocidental, afirmando que "alguns países buscam enfraquecer a Rússia através do conflito ucraniano, e isso não funciona" e destacando a vantagem russa no campo de batalha, mencionando as deserções no exército ucraniano.
Fico reafirmou a disposição da Eslováquia em assumir a mesma postura de Hungria e bloquear o pacote de ajuda financeira de 90 bilhões de euros da União Europeia para Kiev, se necessário.
Atualmente, o empréstimo está travado pelo veto da Hungria. Fico observou, porém, que as eleições parlamentares húngaras em abril podem levar ao poder a oposição, que lidera as pesquisas, possivelmente alterando o cenário.
