Sergey Yarashev, soldado russo de 21 anos condecorado com o título de Herói da Federação da Rússia, afirmou que enfrentou com "sangue-frio" sucessivos ataques ucranianos enquanto defendia sozinho uma posição das Forças Armadas russas durante 68 dias na República Popular de Donetsk.
Em entrevista ao correspondente especial da RT Valentin Gorshenin, o militar descreveu como unidades ucranianas tentaram tomar sua posição com diversas investidas enquanto ele permanecia isolado no posto.
''Não houve medo''
Yarashev contou que não sentiu medo durante os combates, apesar da pressão constante dos ataques.
"Não houve medo. Não sei por quê, de alguma forma encarei isso com sangue-frio. Já me perguntaram isso várias vezes. E eu digo: com sangue-frio. Simplesmente eu deixava todos os pensamentos irem embora", afirmou.
Segundo o soldado, os primeiros momentos de confronto ocorreram quando as forças ucranianas começaram a avançar sobre a posição sem saber inicialmente que ele estava ali.
"Quando eles realmente começaram a me atacar, talvez por um instante, uma ou duas vezes algo como medo tenha surgido. Nem mesmo medo — foi apenas uma descarga de adrenalina", relatou.
Ataques diretos
Ele explicou que, depois de ficar sozinho na posição, enfrentou cerca de quatro ou cinco assaltos diretos.
"Quando eu fiquei sozinho, ataques diretos contra mim, se falarmos especificamente de assaltos, foram com certeza uns quatro ou cinco. Eles entravam em grupos, não sozinhos. Dois ou três homens por vez", disse.
Inicialmente, cerca de oito combatentes adversários foram identificados na área, segundo o militar. A posição também recebeu apoio de artilharia e de drones FPV russos.
Durante um dos ataques, ocorreu um confronto direto. "Um grupo de três entrou. Dois eu tive que matar. Um fugiu", contou.
Yarashev afirmou que conseguiu resistir graças, em parte, à posição defensiva favorável dentro de um prédio destruído, cercado por escombros que dificultavam sua detecção.
''Me apoiaram ao máximo''
Ele também destacou o apoio constante de sua unidade durante o período em que permaneceu isolado.
"Eles me apoiaram ao máximo. Não sei como é em todas as unidades, mas na minha unidade, no Ano Novo, até os sinos da meia-noite transmitiram pelo rádio para nós", disse.
Segundo o militar, ele também conseguiu enviar mensagens de voz para familiares por meio de seus comandantes.
"Eu gravava mensagens de voz para os meus parentes pelo rádio, desejando a eles um feliz Ano Novo", afirmou.
Apesar da condecoração, Yarashev disse não se considerar um herói individualmente e atribuiu seu feito ao trabalho coletivo de sua unidade.
"Não posso dizer que sou um herói de verdade. Porque todo o trabalho é resultado do esforço de toda a unidade. Se não fosse pela minha unidade, talvez eu nem estivesse aqui", declarou.