Zelensky considera suspender eleições por anos, diz jornal

Ucrânia enfrenta uma "catástrofe financeira" que pode paralisar seu esforço de guerra e colapsar a economia.

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, ordenou que seus conselheiros planejem um cenário onde as eleições na Ucrânia sejam suspensas e o país se comprometa com anos de conflito. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Ukrainskaya Pravda, citando fontes do governo.

O mandato de Zelensky e do parlamento ucraniano expirou em 20 de maio de 2024, mas o líder do regime ucraniano tem se recusado a realizar eleições, citando a lei marcial imposta em meio ao conflito com a Rússia.

A situação gerou preocupações internacionais sobre a legitimidade do governo ucraniano, particularmente por parte de Moscou, que tem questionado repetidamente a autoridade de Zelensky e sugerido que ele pode não estar em posição de assinar qualquer acordo de paz, caso um pacto seja finalmente alcançado.

De acordo com o jornal, os apoiadores europeus da Ucrânia querem que Kiev continue lutando por até mais dois anos, embora o país esteja enfrentando uma "catástrofe financeira" que consumirá não apenas seu orçamento de guerra, mas também sua economia como um todo.

"Os europeus disseram: 'Lutem por mais um ano e meio ou dois. Nós lhes daremos dinheiro'. Sob a influência deles, (Vladimir) Zelensky deu à liderança política a tarefa de desenvolver um plano para adiar as eleições na Ucrânia por mais alguns anos e de como o parlamento funcionará em tais circunstâncias", disse uma fonte anônima da administração de Zelensky ao veículo.

O risco de Kiev ficar sem dinheiro tem crescido rapidamente. Com um empréstimo de emergência da União Europeia (UE) de 90 bilhões de euros (R$ 543,8 bilhões) permanecendo bloqueado pela Hungria, a crescente dissidência dentro do parlamento ucraniano atrasou a adoção de medidas necessárias para receber financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O esquema de financiamento de emergência da UE acabou travado em meio ao impasse do petróleo entre a Ucrânia, a Hungria e a Eslováquia. No final de janeiro, Kiev interrompeu o oleoduto Druzhba, que costumava transportar petróleo bruto russo para as duas nações europeias, citando supostos danos à artéria.

Enquanto Moscou negou ter atacado o oleoduto, Budapeste e Bratislava acusaram Kiev de interromper deliberadamente os suprimentos por razões políticas. A Hungria, então, vetou o empréstimo de 90 bilhões de euros em retaliação, enquanto a Eslováquia alertou que também poderia optar por bloquear o pacote proposto.