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Visita de assessor de Trump a Bolsonaro pode ser 'ingerência em assuntos internos', diz Itamaraty

Segundo o chanceler Mauro Vieira, Darren Beattie não mencionou que planejava visitar o ex-mandatário ao solicitar visto de viagem para o Brasil.
Visita de assessor de Trump a Bolsonaro pode ser 'ingerência em assuntos internos', diz ItamaratyGage Skidmore / Surprise / CC BY-SA 2.0 / Arthur Menescal

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, manifestou, em comunicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), preocupação com a visita de Darren Beattie, assessor presidencial dos Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, autorizada nos últimos dias pelo ministro Alexandre de Moraes.

''A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro. Recordo que a Corte Internacional de Justiça, em mais de uma oportunidade, ressaltou o caráter costumeiro do princípio da não-intervenção'', escreveu Vieira na nota, obtida pelo portal Metrópoles.

Vieira acrescentou que o princípio da não-intervenção está previsto tanto nos princípios da Organização dos Estados Americanos (OEA) quanto na Constituição Federal do Brasil, onde aparece como uma das normas que orientam as relações internacionais do Brasil.

No documento, o chanceler observa ainda que Beattie não mencionou que planejava visitar Bolsonaro ao solicitar visto de viagem para o Brasil, e que os detalhes de sua agenda ainda não foram informados.

Segundo a imprensa brasileira, o assessor de Trump também solicitou uma reunião com representantes do Itamaraty durante sua visita ao país. O pedido, feito pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília, ainda estaria sendo analisado pela chancelaria.