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União na América Latina busca fazer contraponto à 'agenda Trump'

Lula, Petro e Sheinbaum conversaram após a cúpula que o presidente dos EUA realizou com líderes da direita latino-americana.
União na América Latina busca fazer contraponto à 'agenda Trump'X / @Claudiashein

Os presidentes de Brasil, Colômbia e México, Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Petro e Claudia Sheinbaum, respectivamente, conversaram na segunda (9) e quarta-feira (11), antecipando a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)-África.

Os diálogos aconteceram após a cúpula "Escudo das Américas" que o mandatário norte-americano, Donald Trump, realizou com 12 chefes de Estado da direita latino-americana.

Visando fortalecer o grupo regional, a cúpula Celac-África será realizada de 18 a 21 de março em Bogotá. A Celac foi criada em 2010, quando a maioria dos países da América Latina era governada por forças de esquerda ou progressistas.

No entanto, nos últimos anos, o mecanismo se enfraqueceu diante da chegada de presidentes de direita que não compartilham os princípios da integração latino-americana, objetivo fundacional do grupo.

De fato, na última cúpula Celac-União Europeia, realizada em novembro passado em Santa Marta (Colômbia), compareceram apenas oito dos 33 chefes de Estado dos países membros, situação que Petro quer reverter na próxima semana.

As chamadas

As comunicações entre os representantes mais importantes da esquerda regional começaram na segunda-feira (9), com a chamada telefônica entre Sheinbaum e Lula, após a qual a mandatária se comprometeu a realizar uma visita ao Brasil.

"Conversamos com o presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para dar seguimento aos projetos conjuntos de desenvolvimento econômico, educação e ciência. É sempre um prazer", explicou Sheinbaum.

Lula, por sua vez, afirmou que dialogaram sobre o fortalecimento das relações econômicas e a aliança entre Brasil e México, especialmente no âmbito energético. "Reiterei meu convite à presidenta Sheinbaum para que visite o Brasil e sugeri organizar um evento empresarial que reunisse o setor privado de ambos os países e explorasse novas oportunidades de negócio. A presidenta aceitou o convite para a visita, que está prevista para ocorrer entre junho e julho deste ano".

Na quarta-feira (11), Petro falou separadamente com Lula e Sheinbaum. No caso do brasileiro, o governo colombiano informou que foi abordada a importância de fortalecer a integração latino-americana e caribenha no marco da cúpula Celac-África, além de ambos confirmarem presença no evento "Em Defesa da Democracia", que será realizado em Barcelona, no próximo dia 18 de abril.

Com relação ao México, a presidência da Colômbia assegurou que Petro e Sheinbaum "abordaram temas como o conflito no Oriente Médio, a união latino-americana, entre outros", embora a presidente não vá comparecer à cúpula Celac-África, enviando seu ministro das Relações Exteriores.

Estas conversas ocorreram logo após a cúpula "Escudo das Américas", realizada em Miami, na qual Trump recebeu 12 presidentes de direita que, diferentemente de Lula, Petro e Sheinbaum, estão alinhados à atual e controversa agenda externa de Washington.