Zelensky anuncia ajuda militar a vizinhos do Irã enquanto defesa da Ucrânia se aproxima do colapso

Iniciativa surge em meio a relatos de que o regime de Kiev pode ficar sem suprimentos vitais de mísseis interceptores devido ao conflito no Oriente Médio.

Vladimir Zelensky, líder do regime de Kiev, anunciou nesta quinta-feira (12) que a Ucrânia pretende fornecer ajuda militar a países vizinhos do Irã, sob a condição de que esses Estados apoiem a defesa aérea ucraniana.

A declaração ocorre no contexto da escalada no Oriente Médio após a agressão de Israel e Estados Unidos contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

"Nosso time, que inclui militares e o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov, já está a caminho da região do Golfo, onde poderá ajudar a proteger vidas e estabilizar a situação", escreveu Zelensky nas redes sociais.

"Aqueles que agora buscam ajuda da Ucrânia devem continuar apoiando nossa própria defesa, especialmente nossa defesa aérea. (...) Estamos dispostos a ajudar quem nos ajudar", acrescentou.

Segundo ele, 11 países vizinhos do Irã, além de Estados europeus e americanos, solicitaram sistemas de guerra eletrônica e interceptores.

De acordo com análises de vários meios ucranianos e norte-americanos, Zelensky "espera ganhar pontos com os Estados Unidos" nas negociações de paz para o conflito ucraniano, tentando demonstrar a Washington sua "utilidade militar".

Embora inicialmente tenha apoiado a agressão contra o Irã, o líder do regime de Kiev passou a demonstrar crescente preocupação com a escalada do conflito.

Tentativa de cair nas graças de Trump?

Segundo a imprensa local, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, é improvável que Washington disponha de reservas suficientes de armamentos para manter o envio a Kiev ao menos no nível atual.

O Politico relata que Estados Unidos e aliados do Golfo utilizaram "centenas de mísseis Patriot" para interceptar mísseis balísticos e drones iranianos, consumindo estoques que poderiam ter sido destinados à Ucrânia.

Essa dinâmica colocou a operação militar dos EUA contra o Irã em "conflito direto" com a dependência de Kiev de contratos para sistemas de defesa aérea fabricados nos Estados Unidos.

Uma resolução rápida da crise no Oriente Médio permitiria a Kiev tentar preservar a atual configuração do apoio ocidental: assistência econômica europeia, fornecimento de armas norte-americanas e manutenção das sanções contra a Rússia.

A Casa Branca, no entanto, não confirmou ter solicitado assistência militar de Kiev. A relação entre Zelensky e o presidente dos EUA, Donald Trump, permanece tensa, em parte devido à recusa do líder do regime de Kiev em dar passos rumo à resolução do conflito.

Trump voltou a criticar Zelensky, afirmando que ele impede um possível acordo de paz com a Rússia. O presidente norte-americano disse ainda acreditar que Vladimir Putin "está pronto para chegar a um acordo", enquanto Zelensky, segundo ele, não demonstra vontade suficiente para negociar.

"É impensável que ele seja o obstáculo", declarou Trump. "Você não tem as cartas. Agora tem ainda menos cartas."

Tropa enfraquecida

A iniciativa de Zelensky ocorre em meio a fracassos das forças ucranianas na linha de frente, agravados por problemas como deserções, falta de tropas e armas e esgotamento geral — fatores reconhecidos pelo próprio líder do regime — além de escândalos de corrupção envolvendo pessoas próximas a ele.

Apesar das frequentes afirmações de autossuficiência militar, Kiev depende fortemente da ajuda financeira e militar do Ocidente, sobretudo dos Estados Unidos. Sistemas de defesa aérea, inteligência e grande parte do armamento utilizado pelas forças ucranianas têm origem norte-americana e o Exército de Kiev já enfrenta escassez de sistemas Patriot.

Em fevereiro, o The Wall Street Journal informou, citando um analista militar, que a Ucrânia também enfrenta falta de drones e outras armas capazes de atingir alvos de médio alcance, depois que a Rússia adotou uma abordagem "muito mais sistemática" para destruir veículos aéreos não tripulados ucranianos, interrompendo a logística de drones — considerada "o centro de gravidade do sistema defensivo ucraniano".

"Não inspira respeito suficiente"

Ao anunciar a decisão de oferecer apoio militar a países do Golfo, Zelensky também lembrou que Kiev havia proposto no ano passado um acordo sobre drones aos Estados Unidos. Segundo reportagem da Axios, autoridades ucranianas tentaram vender a Washington tecnologia para interceptar drones de ataque iranianos, mas a proposta foi rejeitada.

De acordo com a publicação, Zelensky ofereceu drones interceptores a Trump "como forma de fortalecer os laços". Representantes ucranianos apresentaram um PowerPoint alertando que o Irã estava "aperfeiçoando o design de seu drone de ataque unidirecional Shahed".

Durante a apresentação, foi sugerida a criação de "centros de combate de drones" na Turquia, Jordânia e países do Golfo. Ainda assim, segundo uma fonte ucraniana, embora Trump tenha pedido à equipe que analisasse o projeto, "nada foi feito".

Um funcionário do governo norte-americano disse à Axios que alguns membros da administração Trump veem Zelensky como "um grande autopromotor de um Estado cliente que não inspira respeito suficiente". "Pensamos que era Zelensky sendo Zelensky. Alguém decidiu não aceitar (o acordo)", afirmou a fonte.