A Polícia Federal (PF) investiga policiais militares do Rio de Janeiro suspeitos de prestar serviços a traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV), incluindo escoltas armadas e serviços de segurança pessoal. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (12).
As acusações vieram à tona após novas fases de uma operação que apura a infiltração de agentes públicos no crime organizado.
A Operação Anomalia 3, deflagrada na quarta-feira (11), prendeu sete PMs suspeitos de participação no esquema
Segundo a investigação, os policiais acompanhavam traficantes em atividades cotidianas, como visitas a hospitais e participação em eventos. A apuração indica que os agentes não atuariam necessariamente para os mesmos criminosos, mas integravam uma rede de proteção ao grupo.
De acordo com a PF, o esquema operava em três frentes: (1) vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais, (2) cobrança de propina para omissão em crimes e (3) proteção direta a integrantes da facção.
O delegado da PF Geraldo Almeida afirmou que os policiais eram recrutados por conhecidos, integrantes das facções ou até colegas de trabalho.
"Essas três operações deflagradas deixam claro o envolvimento de agentes públicos de todas as esferas de poder. Foi possível perceber que havia membros da PF envolvidos na trama, policiais civis extorquindo um membro da maior organização criminosa. Isso demonstra a fragilidade do estado perante o crime", disse.
A investigação também aponta a atuação do ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Carracena como intermediário em contatos entre investigados. Segundo a PF, ele teria oferecido pagamentos e favores ao delegado, também da PF, Fabrizio Romano em troca de informações e influência. Ambos foram presos.
Outro nome citado no inquérito é o do ex-deputado TH Joias, preso desde setembro sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.