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Não há 'retorno à normalidade' no setor petrolífero a curto prazo, diz Financial Times

Após as agressões dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as medidas retaliatórias do país persa, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz despencou em 97%. A rota é considerada crucial para o transporte de recursos naturais.
Não há 'retorno à normalidade' no setor petrolífero a curto prazo, diz Financial TimesPhilippe Magoni / AP

Após as fortes instabilidades nos mercados de petróleo desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, não há "retorno à normalidade" no setor petrolífero no curto prazo, afirma uma análise publicada na terça-feira (10) pelo Financial Times.

"Estamos no meio de uma das maiores interrupções no abastecimento da história do mercado energético, um evento que a indústria teme há 40 anos", escreveu o jornal britânico.

Mesmo levando em conta os desvios da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz foi reduzido em pelo menos 10 milhões de barris por dia, de acordo com estimativas da publicação.

O fluxo de produtos petrolíferos e gás liquefeito de petróleo através da referida via também diminuiu em 5 milhões de barris por dia, e o gás natural liquefeito estagnou no equivalente a quase 85 milhões de toneladas por ano, aproximadamente 20% do abastecimento mundial.

A cada dia que o estreito de Ormuz permanece fechado, o volume de energia perdida aumenta. Segundo a análise, a volatilidade permanecerá elevada e a previsão é de que os preços do petróleo continuem a subir até que a demanda seja limitada, dado o volume dos crescentes cortes na produção, que ultrapassam os 7 milhões de barris por dia.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Após as agressões de Washington e Tel Aviv contra o Irã e as medidas retaliatórias do país persa, o tráfego de embarcações por Ormuz despencou em 97%.

As Forças Armadas do Irã afirmaram na sexta-feira (6) que a passagem não seria fechada, mas que todos os navios ligados aos Estados Unidos e a Israel seriam atacados. A fim de evitar esse resultado, muitos navios estão alterando seus dados de rastreamento público para simular vínculos com a China.