Os Estados Unidos iniciaram investigações comerciais contra China, União Europeia e outras 14 economias estrangeiras, devido a alegações de práticas relacionadas à "excesso estrutural de capacidade e produção" no setor manufatureiro, afirmou o Representante Comercial dos EUA, Jamison Greer, em um comunicado divulgado na quarta-feira (11).
Segundo a nota, o governo Trump não tolerará o "sacrifício da base industrial" norte-americana em favor de países que exportam seus problemas de capacidade excessiva, enfatizando que essa sobreprodução desloca a produção doméstica dos EUA e impede investimentos no país.
As investigações estão sendo conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esta seção autoriza o Presidente dos Estados Unidos a tomar todas as medidas necessárias para neutralizar as restrições ao comércio interno impostas por outros países. Uma audiência pública das investigações foi programada para 5 de maio de 2026, manifestando a intenção de Greer de finalizar as apurações antes de expirarem em julho as tarifas globais de 10%, impostas por Trump após a Suprema Corte ter declarado ilegais as tarifas baseadas na legislação de emergência nacional.
China e União Europeia encabeçam a lista de investigados, seguida por México, Noruega e Suíça, e completa pelos países asiáticos Singapura, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Bangladesh, Japão e Índia, para além da ilha chinesa de Taiwan.
"As investigações de hoje reforçam o compromisso do presidente [Donald] Trump em realocar cadeias de suprimentos essenciais e criar empregos bem remunerados para trabalhadores americanos em nossos setores de manufatura", disse Greer.
No caso chinês, o documento aponta que, embora a capacidade de produção de veículos elétricos supere a demanda nacional, a fabricante BYD é acusada de expandir agressivamente sua presença global com unidades na Uzbequistão, Tailândia, Brasil, Hungria e Turquia.
A declaração indicou que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos solicitou consultas com os governos envolvidos.
Reações ao escrutínio
A China rejeitou categoricamente as acusações nesta quinta-feira (12), uma vez que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, classificou a alegação de sobrecapacidade como "falsa" e manifestou oposição a qualquer medida tarifária unilateral.
Guo reiterou em coletiva que ambas as nações devem resolver questões econômicas e comerciais diplomaticamente com base em princípios de igualdade, respeito e benefício mútuo, rejeitando o uso do tema como pretexto para manipulação política.
O Japão, por sua vez, prometeu continuar implementando acordos comerciais existentes com Washington, enquanto a Coreia do Sul minimizou as preocupações com as investigações, explicando que Greer manifestou intenção de cumprir os acordos assinados com Seul.
O Brasil, embora não listado na nova lista de investigações, permanece sob escrutínio americano desde investigação iniciada em julho de 2025, também sob a Seção 301, conforme reforçado em fevereiro, após a derrubada das tarifas emergenciais pela Suprema Corte. O país é questionado pelo uso do Pix como meio de pagamento e pelo comércio irregular na região da 25 de Março em São Paulo, por exemplo, além de questões sobre proteção à propriedade intelectual, taxas de importação e desmatamento.