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Brasil deve rejeitar proposta do governo Trump para receber estrangeiros presos no país - G1

Fontes ouvidas pelo portal avaliam que o pedido apresentado por Washington em negociação sobre combate ao crime organizado contraria legislação nacional e normas de proteção de dados.
Brasil deve rejeitar proposta do governo Trump para receber estrangeiros presos no país - G1Gettyimages.ru / Heather Diehl/Ton Molina

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve rejeitar uma proposta apresentada pelos Estados Unidos para que o Brasil receba, em prisões nacionais, estrangeiros capturados em território norte-americano, segundo informou o portal g1 nesta sexta-feira (13). A demanda faz parte de um conjunto de contrapropostas apresentadas por Washington no âmbito das negociações de cooperação para combate ao crime organizado.

A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada por fontes do governo brasileiro ouvidas pela GloboNews. Diplomatas afirmam que o Brasil não concorda com pontos centrais da proposta.

Pontos da contraproposta

Além do recebimento de presos estrangeiros, o governo norte-americano também solicitou que o Brasil apresente um plano para eliminar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Entre as medidas propostas estão ainda o compartilhamento de informações sobre estrangeiros que buscam refúgio no país, incluindo dados biométricos, e a ampliação da troca de dados sobre transações com criptoativos.

Diplomatas brasileiros avaliam que o país não deve aceitar os principais pontos apresentados. Interlocutores do governo afirmam que a transferência de estrangeiros presos para o sistema penitenciário brasileiro não está prevista na legislação nacional.

No caso do compartilhamento de dados biométricos de refugiados, autoridades apontam possível conflito com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Também há entendimento no governo de que não é necessário apresentar um plano específico para eliminar PCC e CV, pois o país já mantém operações e programas estruturados de enfrentamento às facções, inclusive com cooperação internacional.

Negociação em andamento

Diplomatas envolvidos nas tratativas consideram que uma eventual negativa brasileira não deve gerar impacto político relevante, já que as propostas fazem parte de uma negociação em curso entre os dois países.

O diálogo foi iniciado após uma conversa telefônica entre Luiz Inácio Lula da Silva e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em dezembro de 2025. Na ocasião, Lula defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral para combater o crime organizado internacional.

Segundo o Palácio do Planalto, o presidente brasileiro mencionou operações recentes do governo voltadas a "asfixiar" financeiramente organizações criminosas, incluindo investigações no setor de combustíveis que identificaram atuação de grupos a partir do exterior.

Ainda de acordo com o Planalto, Trump manifestou "total disposição" para trabalhar conjuntamente com o Brasil e apoiar iniciativas bilaterais contra organizações criminosas. Os dois governos concordaram em manter novas conversas sobre cooperação no combate ao crime organizado.