A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita nesta quarta-feira (11) presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A parlamentar recebeu 11 votos favoráveis e 10 votos em branco e substitui a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) no comando do colegiado.
No primeiro turno da votação, a chapa única não alcançou o número necessário para eleição após registrar 12 votos em branco e 10 favoráveis. Como os votos em branco não atingiram a maioria absoluta exigida, de 13 votos, a então presidente da comissão abriu um segundo turno, no qual bastava maioria simples. Na nova votação, Hilton foi eleita.
Além da presidência, também foram eleitas Laura Carneiro (PSD-RJ) como primeira vice-presidente, Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) como segunda vice-presidente e Socorro Neri (PP-AC) como terceira vice-presidente. Todas receberam 11 votos favoráveis e 10 em branco.
Prioridades
Em seu primeiro discurso após a eleição, Erika Hilton afirmou que a comissão continuará a tratar das demandas de diferentes grupos de mulheres e destacou que é a primeira mulher transgênero* a presidir o colegiado.
"Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país", declarou.
A deputada também afirmou que a gestão incluirá a defesa das mulheres trans*.
"Queiram ou não queiram, mulheres transexuais* e travestis não serão abandonadas nessa gestão e não me importa a vontade de quem quer que seja", disse.
Entre as prioridades anunciadas estão a fiscalização da rede de proteção e das Casas da Mulher Brasileira, o enfrentamento da violência política de gênero e a promoção de políticas de saúde integral para as mulheres.
Críticas da oposição
Deputadas da oposição criticaram a eleição e defenderam que a comissão deveria ser presidida por uma mulher cisgênero.
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) afirmou que a escolha representa uma mudança na condução da pauta do colegiado.
"Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina", declarou.
A deputada Clarissa Tércio (PP-PE) também criticou a decisão e afirmou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma "mulher de fato".
"Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos", disse.
*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.