Brasil encerra 2025 com 80% das famílias endividadas: Programa Desenrola oferece esperança de renegociação

A maioria das famílias recebe até cinco salários mínimos e acumula dívidas ligadas a despesas básicas como conta de luz, internet e cartão de crédito.

O ano de 2025 foi encerrado com aproximadamente 80% das famílias brasileiras em situação de endividamento, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Paralelamente, mais de 81 milhões de cidadãos encontram-se com pendências financeiras registradas em cadastros restritivos, comprometendo severamente o acesso a novas modalidades de crédito.

A parcela predominante dos lares afetados possui renda mensal limitada a cinco salários mínimos. Essas famílias acumulam compromissos financeiros vinculados a necessidades elementares do cotidiano, incluindo contas de energia elétrica, serviços de internet e utilização de cartões de crédito.

"As taxas de juros elas influenciam bastante nos tipos de dívida que a gente tem, principalmente com bancos, cartões, com financiamentos", afirmou à reportagem Rafaela Alves, especialista da Serasa em educação financeira. "Famílias acabam recorrendo a esses meios por conta desse orçamento apertado, faz com que gere a inadimplência e principalmente as bolas de neve que a gente costuma presenciar."

Desenrola Brasil

Visando amenizar esse quadro, o governo federal implementou o programa Desenrola, que visa facilitar a renegociação de dívidas. A iniciativa promove mutirões nacionais coordenados pela Serasa, reunindo a adesão de mais de 2.200 instituições credoras dispostas a facilitar a quitação.

Os acordos oferecem descontos que podem chegar até 99% do valor original. Os interessados podem negociar mediante canais digitais ou pelo atendimento presencial, ampliando significativamente o alcance do programa.

Diversos brasileiros encontraram no Desenrola a possibilidade concreta de regularizar sua situação financeira. "Eu não tinha condições de pagar [a dívida]. E eu achava que ia caducar, né? E foi aumentando cada vez mais", comentou Dona Elza Ribeiro Costa, doceira e salgadeira, que renegociou suas dívidas no mutirão. "Eu tava devendo mais de 300 mil. Eu paguei 20."

O volume expressivo dessas ações evidencia que o endividamento se consolidou como um dos principais indicadores econômicos do início de 2026, revelando a urgência de soluções efetivas para ajudar as famílias a retomar sua saúde financeira.