A mãe de Maya Gebala, menina de 12 anos gravemente ferida no massacre de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, entrou com processo judicial contra a OpenAI na segunda-feira (9), informou a imprensa canadense.
A autora do processo alega que o ChatGPT atuou como "colaborador, confidente, amigo e aliado" da atiradora Jesse Van Rootselaar, fornecendo informações para planejar o ataque a uma escola, que resultou no assassinato de oito pessoas e no suicídio da atiradora em 10 de fevereiro.
A ação judicial argumenta que a OpenAI possuía conhecimento específico de que a atiradora utilizava o chatbot para planejar um tiroteio em massa e teria fornecido informações sobre métodos para conduzir ataques, tipos de armas e precedentes históricos de violência.
O processo sustenta que a OpenAI teria meios de alertar autoridades e deveria tê-lo feito quando o chatbot assumiu o papel de "pseudoterapeuta" da atiradora. A OpenAI havia banido a primeira conta de Van Rootselaar em junho de 2025, mas a jovem contornou a suspensão criando uma segunda conta. Alega-se que cerca de 12 funcionários identificaram postagens indicando risco iminente de violência e recomendaram avisar a polícia, mas a preocupação foi abafada pela liderança da empresa. As autoridades só foram alertadas após o massacre.
A vítima Maya teria sido atingida três vezes à queima-roupa — na cabeça, no pescoço e, de raspão, na bochecha. A menina sofreu traumatismo cranioencefálico grave, que deve resultar em deficiências cognitivas e físicas permanentes.
A OpenAI não respondeu às reivindicações da ação judicial até o momento.
'Horror e responsabilidade'
As autoridades canadenses convocaram representantes da OpenAI para revisar suas medidas de segurança em 24 de fevereiro, duas semanas após o tiroteio. Antes do encontro, o Ministro da Inteligência Artificial do Canadá, Evan Solomon, classificou a postura da empresa como "profundamente perturbadora" e afirmou não ter ouvido propostas concretas para atender preocupações de segurança.
Solomon teria se reunido virtualmente na última quarta-feira (4) com o CEO da OpenAI, Sam Altman, e afirmado que sua concordância em conceder acesso de especialistas ao escritório de segurança da empresa. Altman teria expressado "horror e responsabilidade" por não ter relatado as ameaças, prometendo implementar mudanças.
O primeiro-ministro da Columbia Britânica, David Eby, também teria se reunido com Altman na quinta-feira (5). O CEO teria concordado em pedir desculpas à comunidade de Tumbler Ridge, mas até a publicação da reportagem nenhum pronunciamento havia sido emitido.